Jornal do Brasil

Sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

Rio

Exonerações de petistas do governo Cabral devem sair sexta-feira

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Em reunião que terminou no início da noite desta segunda-feira, a direção estadual do PT fluminense decidiu entregar até sexta-feira todos os cargos que possuía no governo Sérgio Cabral. Segundo o presidente do PT-RJ, Washington Quaquá, a legenda orientou todos os petistas com cargos comissionados no governo Cabral que peçam exoneração o mais rápido possível. 

“Nós só estávamos no governo por orientação do PT nacional e do próprio governador, que pediu pra nós ficarmos até 31 de março. Mas no final de semana ele enviou um e-mail dizendo que vai exonerar todo mundo até 31 de janeiro, inclusive os dois secretários. Sendo assim, nós nos sentimos livres para orientar os petistas a deixarem o governo a partir de agora”, conta Quaquá.

O presidente do PT no Rio achou que a atitude do governador Sérgio Cabral foi a melhor decisão para os petistas, que só aguardavam a saída do governo para colocar a campanha do senador Lindbergh Farias na rua. "Até aqui nós fizemos tudo que o governador tinha nos pedido, em respeito a ele e a amizade dele com o Lula. A partir de agora o PT está livre para criticar o governo e apontar as falhas que achar necessário, dentro da estratégia de campanha”, avisou Washington Quaquá. 

>> Sérgio Cabral deixa claro que nunca deixou de ser tucano

A aliança entre PT e PMDB no Rio já durava sete anos e é fruto da amizade entre o ex-presidente Lula e Sérgio Cabral. O principal motivo da cisão entre os dois partidos é o lançamento da candidatura de Lindbergh, que, a contragosto de Lula e Dilma, resolveu movimentar o partido para lançar candidatura própria. 

O governador Sérgio Cabral, que deve deixar o cargo a partir de março para concorrer ao cargo de senador pelo Estado, não gostou da atitude do PT. Para ele, os petistas deveriam apoiar o vice dele, Luis Fernando 'Pezão', que fica no cargo no lugar do atual mandatário fluminense.

Sérgio Cabral se reuniu com Quaquá no Palácio Guanabara
Sérgio Cabral se reuniu com Quaquá no Palácio Guanabara

Washington Quaquá se reuniu pela manhã com o governador Sergio Cabral (PMDB). Quaquá chegou um pouco antes das 11 horas no Palácio Guanabara, sede do governo carioca, na Zona Sul da cidade, com uma lista de petistas que vão deixar a administração de Cabral. Ele garantiu que a conversa com Cabral foi num tom de "tranquilidade", mas eles não comentaram sobre futuras alianças  - "seria algo especulativo".

Segundo Quaquá, não houve uma postura agressiva do PT. Ele reforçou que confrontos nos momentos pré-eleitorais sempre acontecem.  O prefeito afirmou que o partido não vai mudar a sua postura  na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) por causa da saída do governo. O ato com as exonerações dos petistas deve ser publicado na sexta-feira  (31) no Diário Oficial do Estado. A lista deve aumentar e chegar até uns 400 nomes de correlegionários.

Os primeiros petistas que encabeçam a lista de desligamentos ocupam as secretarias de Assistência Social e Direitos Humanos, Zaquel Teixeira, e do Meio Ambiente, Carlos Minc. Da Bahia, onde passa as suas férias, o agora ex-secretário Carlos Minc, postou no Twitter sobre a mudança - "Não tenho apego a cargos. Muda o cargo, não muda a pessoa", postou Minc. 

Com a saída dos deputados estaduais, Quaquá prevê um movimento rápido e espontâneo nas cadeiras da Alerj. Segundo ele, quem sair agora vai se alocar no mercado, tirando a vaga de algumas pessoas, mas como as eleições estão bem próximas, todos devem se organizar logo, como candidato ou apoiando alguém. 

"Ficamos no governo até agora a pedido do governador. Ele [Cabral] imaginava que iria haver um retrocesso quanto a questão da candidatura do Lindbergh Farias (pré-candidato do PT ao governo do Estado). Ficou muito claro que ele [Lindbergh] é candidato e o governador revolveu exonerar, o que para nós é melhor, vai resolver uma novela", comentou Quaquá. O presidente regional do partido afirmou ainda que o e-mail de Cabral sobre as exonerações foi "cordial e tranquilo".

De acordo Quaquá, a decisão não vai antecipar a apresentação oficial de Lindbergh como candidato, que deve acontecer do dia 22 de fevereiro, na convenção estadual do partido. "Será seguido o cronograma já programado com o presidente nacional do PT, Rui Falcão.". Ele acrescentou que o diretório regional do partido não irá se envolver nas questões de âmbito nacional, deixando as questões para a direção nacional e fez a previsão de um palanque "forte" do PT no Rio de Janeiro.

Tags: cargos, estado, Governo, PT, Sergio

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