Jornal do Brasil

Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Rio

Shopping Leblon não abre neste domingo por causa de 'rolezinho'

Portal Terra

Diante do anúncio de um "rolezinho" em suas dependências, o Shopping Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, resolveu não abrir as portas neste domingo. Em um comunicado divulgado na noite de sábado, a administração do centro comercial informou que a "ação visa a segurança de todos os lojistas, clientes, funcionários e colaboradores". Na segunda-feira, o estabelecimento reabre em horário especial por causa do feriado do Dia de São Sebastião.

O fechamento do shopping ocorre mesmo após a juíza Isabela Pessanha Chagas, da 14ª Vara Cível do Rio de Janeiro proibir, na sexta-feira, o "rolezinho" marcado para este final de semana. A decisão diverge da assinada pelo juiz Alexandre Eduardo Scsinio, de Niterói, que indeferiu pedido de liminar para impedir o evento no Plaza Shopping.

A juíza estipulou uma multa de R$ 10 mil a cada pessoa que desobedeça a liminar. Em sua decisão, ela mencionou o artigo 5º da Constituição Federal, que garante o direito à manifestação e o direito de ir e vir, mas salienta que a presença de 5 mil pessoas em um evento, dentro de um local privado e de lazer "pode pôr em risco a integridade física de eventuais consumidores que possam estar no local".

>> Manifestantes não comparecem a "rolezinho" no shopping Ilha Plaza

E neste sábado, um "rolezinho" acabou por se transformar em protesto no Shopping Plaza, em Niterói (RJ). O ato começou por volta das 19h10 e acabou às 20h40. Ao contrário do "grito de liberdade" da periferia que marcou os atos de São Paulo, o tom foi político, com gritos contra o governador Sérgio Cabral e o tradicional "não vai ter Copa (do Mundo)". 

Logo no início do ato, ocorreu um princípio de confusão, com manifestantes tentando entrar em lojas, e seguranças impedindo, além de correria no prédio. Assustados, muitos clientes do shopping entraram nas lojas, com medo. "O que é isso que está acontecendo", perguntava a dona de casa Simone Barbosa, ao lado da neta, Sofia, que chorava, com medo. 

Cerca de 30 pessoas participaram. Eles tentavam entrar nas lojas alegando o direito de ir e vir, mas eram impedidos pelos seguranças. Muitos estabelecimentos fecharam as portas. Muitos curiosos se aglomeraram nas escadas rolantes, que foram paralisadas durante o "rolezinho-protesto". 

"Eu acho justo protestar, mas não acredito que esteja acontecendo qualquer ato de racismo aqui dentro", opinou o publicitário Alexandre Lima. Nenhum ato de vandalismo ocorreu durante o manifesto do grupo.

Os manifestantes gritavam ainda frases "estamos na rua e a luta continua" e "amanhã vai ser maior". Eles cantaram funks antigos do Rio de Janeiro e foram acompanhados todo o tempo por cerca de 20 seguranças, muitos deles à paisana.

O tom político do ato ficou reforçado pela liderança do cantor e compositor PH Lima. Figura conhecida das manifestações que ocorreram no ano passado, ele foi candidato a vereador de São Gonçalo pelo PSOL, participou da invasão da Câmara Municipal de Niterói, também no ano passado, e chegou a ser detido. 

"Se fosse um bando de playboyzinho, como colocam nos filmes, aquela loja ali não estaria fechada", apontou PH Lima, 25, para um dos estabelecimentos que fechou as portas naquele momento. "Tenho certeza que aqueles vendedores não recebem nem 1% do lucro da loja. Não estamos quebrando nada, Niterói está com uma cárie que se chama racismo", completou em um dos seus discursos. 

Alguns vendedores chegaram a protestar contra o ato. Um deles chegou a fazer um cartaz: "Eu ganho por comissão, obrigado, rolezinho". Os manifestantes quiseram tirar satisfação e houve um novo princípio de confusão, rapidamente contido pelos seguranças. O mesmo ocorreu quando o grupo tentou entrar no café Starbucks.  

Muitos jornalistas, em especial os que portavam câmera fotográfica ou de vídeo, foram impedidos de entrar no local. O shopping fechou as portas tão logo o "rolezinho" teve início. Após o ato, a assessoria de imprensa do Shopping Plaza soltou a seguinte nota:

"O  Plaza Shopping Niterói informa que, na tarde deste sábado, dia 18, foi necessário interromper as atividades do centro de compras temporariamente. A medida adotada pelo empreendimento fez parte do plano de ações para garantir a integridade e segurança de seus clientes, lojistas e colaboradores."

Tags: arruaças, encontro, internet, marcado, shopping

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