Jornal do Brasil

Quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Rio

Galeão: pai esclarece suposta ausência de vidro no guarda-corpo

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O pai da menina argentina Camila, de 3 anos, que caiu de uma altura de 5 metros do mezanino do Aeroporto Tom Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro, na tarde de sábado, esclareceu nesta segunda-feira (6) que, quando afirmou que local estava sem vidro de proteção, se referia justamente ao vão de cerca de 20 cm por onde a criança escapuliu, e não da área do guarda-corpo, como inicialmente ficou entendido. Marcelo Alejandro Palacios acompanha a filha no Hospital Souza Aguiar, onde ela está internada.

A Polícia Civil analisa as imagens das câmeras de segurança do aeroporto para tentar esclarecer como uma menina caiu. Os policiais também aguardam o resultado dos laudos periciais e procuram possíveis testemunhas.

A Delegacia do Aeroporto já ouviu os pais da menina, funcionários da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) que estavam no aeroporto e o médico que atendeu a criança após o acidente.

Segundo o pai da criança, o quadro de saúde da menina argentina Camila é estável. Ela respira sem ajuda de aparelhos, está lúcida e conversando com a família. Ela teve traumatismo craniano e sofreu um corte na testa, onde levou três pontos. Segundo ele, os médicos afirmaram à família que a menina não deve ficar com nenhuma sequela da queda e não apresenta alteração de conduta. Camila permanece internada no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) pediátrico. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, apesar da menina estar lúcida, o seu quadro ainda inspira cuidados. Os médicos ainda estão avaliando a necessidade de uma cirurgia.

Marcelo Alejandro Palacios esclareceu como aconteceu o acidente e disse que Camila está lúcida
Marcelo Alejandro Palacios esclareceu como aconteceu o acidente e disse que Camila está lúcida

Momentos de desespero

Marcelo contou que quando aconteceu o acidente, ele e a sua esposa estavam bem próximos à escada rolante e escutaram um enorme estrondo. "Eu corri para ver o que era, porque pensei que fosse um disparo de arma de fogo. Quando vi a minha filha pensei que ela estivesse morta, era muito sangue", disse Marcelo. Segundo o pai da criança, o socorro chegou rapidamente e Camila estava consciente no trajeto entre o Galeão e o Hospital Souza Aguiar. "Ela ficou o tempo todo dizendo 'papai me socorre, me socorre'. Eu estava desesperado, achando que ela não fosse resistir", contou o argentino.

Depois do pesadelo, Marcelo disse que está mais tranquilo e seguro ao ver a sua filha conversando. "Estou confiante que ela vai ficar boa logo". Ele disse que pretende voltar ao Brasil em outras oportunidades, mas criticou o sistema de segurança do Galeão. "Aeroporto é um lugar que carregamos malas, acompanhados de crianças e tem que ter total segurança. Quantas famílias não passam pelo aeroporto do Rio por dia? Muitas famílias com crianças pequenas. Devia ser um local mais tranquilo, especialmente porque vai sediar eventos mundiais", afirmou Marcelo, que na hora do acidente ainda estava acompanhado do filho Bruno, de 7 anos e Elias, de 9 anos. Ele espera que Justiça seja feita no caso da sua filha.

A família de Marcelo estava no Brasil há 15 dias. Eles vieram passar o Réveillon em Angra dos Reis. 

Investigações em andamento

Segundo a Polícia Civil, a Delegacia do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (DAIRJ) instaurou inquérito para apurar crime de lesão corporal. Neste domingo (5/1), o delegado da especializada ouviu os pais da criança, funcionários da Infraero e o médico que atendeu Camila após o acidente. Imagens de câmeras de segurança do aeroporto já estão sendo analisadas. As investigações estão em andamento e a polícia procura possíveis testemunhas que possam ajudar a esclarecer o caso. Os agentes aguardam o resultado dos laudo pericial de local e também o boletim de atendimento do hospital, que foi encaminhada para o Souza Aguiar.

Regras não incluem aeroportos

O diretor técnico da Associação Brasileira de Normas Técnica (ABNT), engenheiro Eugenio Tolstoy de Simoni, afirmou na tarde desta segunda-feira (6/1) que as regras do órgão acerca de guarda-corpo em estabelecimentos públicos não inclui aeroportos. De Simoni está avaliando outras regras que podem estar relacionadas diretamente estes espaços. 

O engenheiro esteve no Galeão e disse que a distância entre a escada rolante e a estrutura metálica do guarda-corpo deveria ser de, no máximo, 11 cm, como é recomendável para outros tipos de estabelecimentos.

Tags: aeroporto, criança, menina, queda, trauma

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