Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Rio

Cano estoura na construção da linha 4 do metrô, no Leblon, e assusta moradores

O barulho das obras também é queixa de quem passa pela área

Jornal do BrasilAmanda Rocha*

Um cano da Cedae, localizado sob as obras da linha 4 do metrô, estourou neste sábado (4), por volta de meio-dia, na Rua Borges de Medeiros, entre os bairros de Ipanema e Leblon. O trajeto ficou completamente alagado e o trânsito se intensificou na área, já que a rua é uma das principais vias de acesso às praias. Laconicamente, o consórcio Linha 4 Sul, responsável pela obra, se manifestou afirmando apenas que o acidente ocorreu porque a tubulação de água foi atingida e que o cano será consertado. A Cedae chegou rapidamente ao local para conter o alagamento e não há mais água no trajeto.

Devis Martins, porteiro de uma pet shop que funciona na área do acidente, contou que a quantidade de água foi tanta que chegou até a Rua Almirante Guilhem (dois quarteirões) e atrapalhou quem estava na região. “Alagou tudo e eu tive que dar a volta por trás da rua. Além disso, ninguém conseguia entrar na nossa loja e os carros tinham que estacionar na calçada. Agora não tem mais água. Estão limpando tudo porque ficou muita lama”, diz.

A tubulação estourada também assustou quem estava no local. Muitos não sabiam o que estava acontecendo e só viam o nível de água aumentar. Ailton Ferreira, guardador de carros, diz que, quando o acidente aconteceu, saiu correndo, cogitando a possibilidade de ser a água do mar invadindo o asfalto. “Não tinha como toda essa água vir pra cá assim. Fiquei com medo de ser a água do mar ou até algo debaixo da terra. As pessoas não conseguiam nem sair de seus carros”, conta.

A construção da linha 4 do metrô provoca reclamações de moradores muito antes desse acidente acontecer. A maioria se queixa do grande barulho que as obras provocam o dia todo. A jornalista Elizia de Bellis mora em frente à construção e diz que, além dos ruídos serem ensurdecedores, eles ainda persistem além do tempo estipulado.

Foto tirada por moradora do Leblon Elizia de Bellis que mostra funcionários trabalhando, segundo ela, às 00:05
Foto tirada por moradora do Leblon Elizia de Bellis que mostra funcionários trabalhando, segundo ela, às 00:05

“É humanamente impossível aguentar esse barulho. Começa às 6h da manhã e vai até às 22h30. Só que esse horário se estica. Ontem, por exemplo, o barulho recomeçou às 23h30. Meia noite ele ainda não tinha acabado. Então, peguei meu celular e fiz questão de mostrar que estava gravando aquilo. Logo depois, uma das pessoas que estava na obra disse: ‘Acabou, acabou.’ E só aí pararam”, relata.

Segundo ela, o cano estourado foi só um “plus” em uma história que já incomoda muita gente há muito tempo. Por conta de todos os problemas, ela já entrou em contato com o consórcio Linha 4 Sul para pedir soluções que diminuam os ruídos. “Eles falaram que vão tentar fazer alguma coisa, talvez colocar um tapume. Além disso, também me falaram que vão monitorar os decibéis. Mas a coisa vai além disso. É preciso ter um momento sem barulho para conseguir colocar a cabeça no travesseiro e dormir”, diz.

Questionado sobre o barulho das obras, o consórcio Linha 4 Sul não respondeu até às 19h desse sábado.

*Do programa de estágio do Jornal do Brasil

Tags: barulho, cano, cedae, Metrô, obra

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