Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Abril de 2014

Rio

O ‘humor’ que oprime

Jornal do BrasilWalmyr Jr*

Esta coluna de hoje é fruto de uma indignação e descontentamento com o grupo de comediantes que vem desrespeitando a população brasileira. Já não basta as inúmeras piadas com negros, gays e mulheres. Agora somos obrigados a ver o sarcasmo dos comediantes brasileiros a respeito da religiosidade da população.

O ‘especial de natal’ do grupo de comédia ‘porta dos fundos’, tem em sua prática humorística um refúgio do ataque moral as minorias, mas não tem o direito de ridicularizar o cristianismo e muito menos colocar em xeque os dogmas do catolicismo. O vídeo encontrado em http://www.youtube.com/watch?v=2VEI_tn090c mostra claramente o desrespeito do grupo com a tradição religiosa da catolicidade e do cristianismo. Ao ridicularizar a Sagrada família e aos passos de Cristo na terra, esse grupo está ofendendo a todos os cristãos.

Segundo o escritor Alex Castro “o humor  é simples: você cria uma expectativa, e depois a subverte.”

Não sou a favor de censura. Defendo que todo homem e mulher tenha a liberdade para fazer o que bem entender com sua vida assim como ser livre para falar o que quiser, mas isso tem preço. O meu direito termina quando o do outro começa. Ninguém tem o direito de ferir o direito de ninguém. Se quisermos ter liberdade para falar qualquer coisa temos que aceitar as consequências.

Para o humor poder existir, são necessários o pressuposto culturais e coletivos, compartilhados pelo humorista e seu público. Esse tipo de piada (com a fé dos outros) é mais uma ferramenta para estruturar um modelo de sociedade que desfigura o humano que nós somos.

Já não basta ter que ouvir o tempo inteiro certas pessoas rindo da desgraça alheia, ou rindo por que uma pessoa é negra, mulher, deficiente, gay ou gorda, agora temos que aturar esse tipo de piada contra a religiosidade da população?

As piadas preconceituosas só tem efeito porque o humorista e sua platéia “supõem” que determinados pré-conceitos não ferem ninguém, mas ao contrário são divertidos e engraçados. Não podemos naturalizar o desrespeito humano e muito menos o preconceito em nossa sociedade. Por que rir dos estereótipos alheios? Qual o problema que existe em uma mulher loira ou não, ou sobre o negro, o gay, ou sobre um praticante de uma religião?

Por que pegar das fragilidades alheias para se divertir ao invés de se solidarizar? Será que ferir a identidade do outro é de fato essencial para se divertir em um espetáculo de humor? Para ser humorista, a piada precisa transgredir o direito do outro?

Talvez sim, até mesmo por que uma geração que acha engraçado reduzir o outro ou a outra por uma deficiência, religião, gênero, raça, só deve estar cumprindo o papel de reprodutor da sua geração familiar e do seu grupo social...

* Walmyr Júnior é graduado em História pela PUC-RJ e representou a sociedade civil em encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ. 

Tags: acha, até, engraçado, geração, mesmo, por, que, sim, talvez, uma

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