Jornal do Brasil

Domingo, 20 de Abril de 2014

Rio

É Natal, e o que buscamos?

Jornal do Brasil* Walmyr Jr.*

Qual é o sentido do NATAL? O que celebrarmos? São arvores piscando luzes coloridas? São propaganda de refrigerante com o papai Noel? São as historias do bom velhinho? São compras absurdas no Shopping Center? São presentes impregnados de materialismos? São as práticas do individualismo ou do consumismo abusivo?

Ou será o nascimento de um bebe, onde sua mãe imaculada gerou a salvação em seu ventre pela ação do Espirito Santo?Será que a jornada dessa jovem mulher, que foi dada pelo sacrifício do amor não tem um significado maior do que imaginamos? Será que o sentido da vinda desse menino não estará ligado ao ‘se doar’entre as pessoas?Será ainda que esse sentido está ligado ao sacrifício pelo próximo sem buscar nada em troca?

Dentre muitas coisas que imaginamos, sempre vem uma pergunta: o que buscamos nessa vida? Ou ainda: qual o sentido do meu viver? Quem somos? Qual o real sentido deste dia de nascimento do menino de Nazaré? Será ele o salvador? Onde mora esse menino Jesus? Onde seu reino esta?

No dia 10 de dezembro, o Papa Francisco deu uma longa e surpreendente entrevista para o jornal italiano La Stampa. O clima natalino e o final do seu primeiro ano de pontificado eram uma ótima ocasião para fazer uma “revisão de vida”. Esse termo, utilizado nos exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola, marca a mística do pontificado do Papa, mas também nos dá um caminho para responder tantos questionamentos aqui citados.

Fazer a ‘revisão de vida’ é mergulhar na nossa história, é perceber dentro das escolhas que fizemos ao longo do tempo, o caminho acertado e também os caminhos não tão certos assim. Esta mistura equilibrada da ternura franciscana com o vigor jesuíta possibilita hoje analisar o sentido do Natal.

Revisar os passos é ter um manual prático para servir de guia, assim podemos preparar a própria vida, deste ou daquele modo, a serviço da maior glória de Deus, em prol dos outros e da construção da justiça do Reino anunciado por Jesus. É seguindo os passos de Jesus que Inácio foi conformando sua vida a exemplo do Mestre, no amor, na doação mútua, na entrega de vida manifestada sobretudo através de gestos concretos. Mas é Deus, que celebramos hoje, que nos amou primeiro: dele recebemos tudo e a Ele respondemos com amor, colocando nossa vida a serviço dos irmãos.

O Papa Francisco nos ensina que só na cultura do encontro, mais do que nos seus gestos do que nas suas palavras, é possível viver o Natal 365 dias por ano e 24 horas por dia. Devemos apenas ver os passos deste incansável jesuíta, que vamos ver o que significa ‘amar e servir’..

Natal é isso. É a festa do encontro. Como lembra Francisco na entrevista: “É o encontro com Jesus [...]. É o encontro de Deus com seu povo”. Viver esta dimensão mística do encontro nos consola e faz com que a vida não seja apenas um “vale de lágrimas”. Temos razão para sorrir e fazer festa. O Evangelho é uma boa notícia que nos traz alegria. Quem faz esta experiência não se sente sozinho. Sabe que Deus está do seu lado.

Essa reflexão foi feita pelo Pe Joãozinho SCJ, em entrevista para a Canção Nova: “o homem de nossos dias corre o risco de perder a esperança e a simplicidade dos gestos mais comuns, como abraçar e acariciar. Seu remédio para nosso mundo, marcado pelo individualismo e a liberdade sem limites, é a “cultura do encontro”. Isto não é mera teoria antropológica” disse ainda “”. Se João Paulo II foi um papa “missionário” e Bento XVI, um papa “mestre”, Francisco tem sido um papa mártir, ou seja, “testemunha” do encontro de Deus com a humanidade. Então... é Natal”.

Acredito que essas respostas respondam as nossas perguntas. Um Santo e Feliz Natal.

* Walmyr Júnior é graduado em História pela PUC-RJ e representou a sociedade civil em encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ.

Tags: acariciar, individualismo, marcado, Mundo, nosso, para, pelo, remédio, seu

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