Jornal do Brasil

Sexta-feira, 25 de Abril de 2014

Rio

Moradores de Nova Iguaçu vivem situação de calamidade pública

Prefeitura não apareceu para limpar o bairro de Austin, um dos mais afetados pela chuva

Jornal do BrasilAmanda Rocha*

O bairro de Austin, em Nova Iguaçu, foi um dos mais afetados pelas chuvas da última quarta-feira, que deixou o Rio de Janeiro em estado de alerta. Moradores do local perderam casas e estão abandonados, cercados por ruas tomadas pela lama, já que a Prefeitura não apareceu para sequer limpar o lugar. O lixo também se acumula, formado até por sofás e geladeiras danificados que foram dispensados por famílias que perderam a maior parte dos móveis.

Loimir Souza, doméstica, conta que está dormindo na rua com seus parentes. “Está tudo horrível por aqui. Minha casa caiu, não existe mais. Eu estou dormindo na rua junto com meu pai, meus dois filhos e meu irmão. Vou para um colégio só pra pegar almoço e jantar”, diz. Ela se prepara agora para se inscrever no Aluguel Social, benefício temporário do governo, destinado a atender famílias em áreas de risco ou desabrigadas. A mandaram ir para o centro de Nova Iguaçu, e agora Loimir espera alguém para acompanhá-la, já que não sabe chegar no endereço sozinha.

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Tânia Lyrio também está no processo de inscrição para o Aluguel Social e precisa ir para Nova Iguaçu, mas não tem o dinheiro da passagem. “Eu perguntei se eles vão dar vale-transporte porque eu não tenho como pagar. Não adianta nada dar um papel e eu ter que ir a pé. Como eu vou para o centro? Mas eles falaram que não vão dar”, conta.  Os documentos de Tânia também se perderam pela enchente, dificultando não só a inscrição no Aluguel Social como também a matrícula de sua filha na escola. Agora, ela tem um mês para refazer os documentos e conseguir colocar a criança no colégio.

As ruas de Austin foram limpas pelos próprios moradores, como conta João Elias Barbosa. “Ninguém apareceu pra limpar nada e a Prefeitura não está dando nenhum apoio, nem mesmo com caminhões de lixo, então tivemos que limpar. É uma calamidade pública”, alerta. Muita sujeira permanece nas ruas e além de incomodar pelo cheiro forte, também afeta a saúde das pessoas. A filha de Tânia tem vomitado todos os dias desde que a tempestade alagou o bairro e seu marido está com irritações na pele. “Ele [marido] não foi trabalhar nenhum dia. Está com coceira no braço, garganta e joelhos inchados. Eu vou procurar saber se estão dando vacina porque não tenho como comprar remédios”, diz.

Para tentar fugir do mau cheiro e de doenças, além do risco de desabamento de sua casa, Tânia dorme com sua família na Escola Municipal Walfredo da Silva Lessa, que está oferecendo abrigo às vítimas da enchente. No entanto, de dia precisa voltar para a casa. “Aqui não tem mais jeito, vai desabar. Só que o meu muro já caiu, então se eu me afastar, as pessoas pegam o pouco que sobrou na minha casa. Já roubaram algumas coisas. O ventilador e a televisão estão funcionando, por exemplo, então preciso ficar de olho. Mas não dá pra dormir. Meu teto é de telha então não mata ninguém se cair, só machuca, mas meu medo é minha filha de três anos”, conta.

Segundo Simone Castro, dona de casa, a fiscalização começa a aparecer para interditar moradias da região. “Eles estão lá no começo da rua e vão chegar na minha ainda, mas já estão interditando. Eu já estou morando com uns parentes porque o vento levou o telhado da minha casa, que fica embaixo de outra que está prestes a desabar”, lamenta. 

A reportagem do Jornal do Brasil tentou entrar em contato com a Prefeitura de Nova Iguaçu, pedindo explicações sobre as reclamações dos moradores, através dos números (21) 2668-6774 e (21) 3773-5404, disponibilizados no site oficial da Prefeitura, durante todo o sábado (14) e até meio dia deste domingo (15). Nenhuma das ligações foi atendida.

*Do programa de estágio do Jornal do Brasil

Tags: alagamento, chuva, cidade, desastre, Rio

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