Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

Rio

Paralisação de obra do Hotel Gloria será questionada por Conselho de Arquitetura

Reforma da Marina da Glória, outro projeto de Eike Batista, enfrenta ações populares na justiça

Jornal do Brasil

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro irá requerer, junto à Secretaria Municipal de Urbanismo, informações em relação à paralisação das obras do Hotel Glória. O projeto de revitalização já estava com o cronograma atrasado, e está parado devido à decisão de Eike Batista de negociar o hotel. A Marina da Glória, que  está no meio de um imbróglio jurídico, tem futuro incerto, enquanto moradores da região lutam contra as modificações e interdição do local.

As duas revitalizações, tanto do hotel quanto da Marina, eram de responsabilidade de empresas pertencentes a Eike Batista. Mas, devido a problemas financeiros e de decisões da justiça, as obras não foram pra frente, assim como muitos outros projetos mirabolantes do empresário.  Adquirido em 2008 por R$ 80 milhões, o Hotel Glória chegou a ser rebatizado como Gloria Palace Hotel e entrou em reforma em 2010. Três anos depois, após a demolição do prédio, muitas críticas de moradores, acúmulo de dívidas, e sem perspectiva de cumprimento do cronograma, o grupo EBX, de Batista, colocou o imóvel a venda.

O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio (CAU), Sydnei Menezes, afirmou que irá acionar a Secretaria de Urbanismo para que as providências possíveis possam ser tomadas:

“O Conselho irá acionar a secretaria para conseguir informações sobre as obras do hotel, quem são os responsáveis, e porque exatamente está parada. Vamos apurar o grau de responsabilidade de cada um e, dentro da nossa competência institucional, vamos fazer tudo que for possível para que não aconteça mais um abandono de um prédio ícone da cidade.”, explicou Menezes.

Já os moradores da Glória, que recorrentemente reclamam em relação a questões de barulho e poeira decorrentes das obras, estão aguardando o desenrolar dos fatos para tomarem uma posição. Segundo o presidente da Associação de Moradores, Jorge Mendes, sempre houve a lamentação pela autorização da demolição do prédio, que também culminou com a extinção do Teatro Glória, e que os residentes ainda carecem de informações sobre a paralisação da reforma para emitirem uma opinião.

Marina da Glória em meio a imbróglio jurídico

A Marina da Glória, patrimônio público da cidade, foi concedida para exploração comercial da iniciativa privada no ano de 1999, em acordo com a empresa EBTE. Atualmente, o espaço pertence à prefeitura e é administrado pela REX, do grupo controlado por Eike Batista, que adquiriu a EBTE em 2009. No final de maio, a justiça, por meio de ação popular, cancelou o contrato de concessão da Marina. Enquanto recorre da decisão, em Brasília, Eike tenta articular a venda do seu direito de exploração do local, que previa uma revitalização total da região, com direito a construção de um centro de convenções.

A Associação de Moradores da Glória, responsável pela ação popular que culminou na decisão de revogação do contrato de concessão, sempre travou batalha na justiça contra o projeto de reforma de Eike. Nesta mesma decisão, ainda em processo de recurso por parte do réu, há a determinação para que se retirem as estacas colocadas em um longo trecho do píer, modificação não autorizada pelo Iphan:

“Por parte da associação há o entendimento de que a Marina deveria continuar sendo pública, com o resgate do projeto original de Amaro Machado (arquiteto responsável pelo projeto original da Marina). Foram duas ações feitas pela associação. Já ganhamos uma para que retirassem os tapumes de dentro da praça do bosque e da prainha (trecho de praia ao lado da Marina), e estamos aguardando a apelação da segunda para que retirem as estacas do píer”, defendeu Jorge Mendes.

No caso da Marina da Glória, Sydnei Menezes diz que, por enquanto, não há nada que o CAU possa fazer, pois aguarda desdobramento do trabalho da comissão especial, criada após decreto instaurado por Eduardo Paes, que avalia a situação urbanística do espaço. Os objetivos da comissão, composta por um membro do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), um membro do Iphan e dois órgãos da prefeitura são: definir parâmetros edilícios e paisagísticos que respeitem as limitações estabelecidas pelos órgãos de proteção do patrimônio cultural e pela legislação em vigor, definir parâmetros de uso e ocupação da Marina da Gloria e elaborar termo de referência para a promoção de concurso público internacional de arquitetura para o espaço.

Tags: Marina, Obras, eike, gloria, hotel

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