Jornal do Brasil

Terça-feira, 17 de Outubro de 2017

Rio

Zona Portuária: A revitalização não chega para todos

Casas abandonadas e falta de infraestrutura são a realidade de moradores e comerciantes locais.

Jornal do BrasilLucas Altino*

Com início anunciado para 2012, as obras de urbanização e infraestrutura ainda estão estagnadas em regiões da zona portuária do Rio de Janeiro. Ruas como Sacadura Cabral, Inválidos, Camerino e Senador Pompeu apresentam problemas de acessibilidade, iluminação e casarões abandonados, com alguns inclusive sofrendo desabamentos e incêndios recentemente.

Em meio a projetos de modernização da cidade, que se prepara para receber os grandes eventos, a prefeitura do Rio criou, em 2009, o Projeto Porto Maravilha, com a finalidade de promover a reestruturação urbanística e revitalização da chamada zona portuária. No entanto, quatro anos depois, os comerciantes e moradores locais não encontraram as melhorias prometidas.

Funcionário de um bar na Sacadura Cabral, Juvenal Lopes, reclama da falta de investimentos na rua, que fica em frente à praça do Valongo, recentemente reformada. A promessa de continuidade das obras, no entanto, não se concretizou:

“A Prefeitura disse que em março ia começar a fazer obra aqui na Sacadura, mas até agora nada. Eles revitalizaram a praça, mas o poste de luz aqui em frente nem funciona. As calçadas também continuam esburacadas, atrapalhando os cadeirantes”, protestou Juvenal, que tenta superar o fraco comércio da região, em dificuldades após o fechamento de diversas lojas no entorno.

No estabelecimento ao lado, Tiago Pereira enfrenta a falta de investimentos na região há 10 anos, quando abriu a sua loja de chaveiro. Sem se empolgar com o projeto de modernização, ele aponta problemas antigos e novos, criados após as primeiras obras:

“Com a restauração da praça, a prefeitura tirou os orelhões e os bancos. Segundo eles, a preocupação é evitar que mendigos dormissem por aqui, nem no ponto de ônibus mais tem banco para as pessoas. O problema de inundação também não melhorou com as obras, qualquer chuva é suficiente para encher a rua.”, reclamou o chaveiro.

Promessas não cumpridas frustram novos comerciantes

A expectativa de reais melhorias na infraestrutura e consequentemente atração de investimentos e turistas para a zona portuária, fez com que diversas pessoas resolvessem abrir novos negócios nas ruas da região. É o caso de Manoel da Silva, que há seis meses abriu um bar na rua Camerino. Contudo, a falta de iluminação e água, dentre outros problemas, faz com que seu Manoel tenha mais motivos para reclamar do que comemorar:

“A prefeitura ta fazendo uma instalação de luz subterrânea aqui em frente que só me traz problema. Eles já tinham feito uma obra dessas meses atrás, mas agora estão fazendo tudo de novo. Essa semana não pude abrir a loja por 4 dias por falta de luz. A água também só fica forte à noite e também temos problemas de falta de coleta de lixo na rua. A essa altura era pra prefeitura ter finalizado a maioria das obras, mas até hoje eles nem fizeram contato ou deram satisfação ”, reclama Manoel da Silva.

Casarões abandonados

Por ser uma das regiões mais antigas da cidade, a zona portuária possui casas históricas, mas que sofrem com estado de deterioração. Os comerciantes vêm recorrentemente alertando para as muitas invasões a esses casarões, que protagonizaram casos recentes de desabamento e incêndios.  Enquanto a prefeitura mostrou preocupação com imóveis da rua da carioca, anunciando o tombamento desses estabelecimentos, o mesmo tratamento não ocorreu para casas ao redor do porto.

Com o repasse de responsabilidade entre setores do poder público, as diversas casas abandonadas, sem a devida atenção para conservação, representam um obstáculo para a prosperidade do comércio da região, além de uma ameaça para a segurança de moradores e transeuntes.   

Resposta da prefeitura

A Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) respondeu que as obras não estão atrasadas e que os problemas de calçada e iluminação envolvem diversas frentes , tanto do governo quanto da iniciativa privada, portanto não é possível apontar a responsabilidade de cada problema sem uma apresentação precisa do objeto de reclamação. A empresa esclarece que o projeto de revitalização, por sua dimensão, envolve mais de uma fase. A primeira fase, executada com recursos municipais, resultou na construção do Museu de Arte do Rio e em obras estruturais de renovação de redes de serviços públicos nas ruas mais próximas (24, no total), incluindo a Sacadura Cabral. A segunda fase, iniciada em junho de 2011, receberá investimento de R$ 8 bilhões em recursos privados, sem dinheiro público:

"O cronograma segue uma lógica de continuidade que obedece a determinações importantes da dinâmica do trânsito da cidade e da lógica da própria engenharia. Não se pode fechar todas as ruas do Centro e da Região Portuária ao mesmo tempo. Cada rua ou trecho terá seu espaço no cronograma até 2016, quando as obras serão concluídas", esclarece a empresa.

Sobre as reformas de calçada que se iniciariam em março de 2013, a Cdurp diz que a prefeitura não fez nenhuma promessa desse tipo. Em relação aos problemas de luz, a companhia respondeu que a rede de iluminação pública foi totalmente refeita, com transferência da rede elétrica aérea para subterrânea. Alguns postes já teriam energização e outros receberão após a conclusão das obras. Sobre as questões de inundação e lixo, o consórcio respondeu que as obras de drenagem estão em andamento e que há programação intensa para coleta de lixo. A assessoria da Cdurp ainda desmentiu a retirada de bancos da praça do Valongo por suposta motivação de afastar os mendigos e garante que haverá chegada de novos equipamentos. 

Tags: Copa, Porto, casarões, conservação, revitalização

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