RJ: operação prende quadrilha que ofereceu propina a policial de UPP
Pelo menos três pessoas foram presas na manhã desta terça-feira durante uma operação conjunta do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) e a Coordenadoria de Inteligência da Polícia Militar do Estado do Rio. Ao todo, foram emitidos seis mandados de prisão para integrantes do tráfico de drogas do morro da Mangueira, suspeitos de atuar na região e de oferecer propina a um policial lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) instalada na comunidade.
A investigação contou com infiltração de agentes e monitoramento das ligações telefônicas, medidas autorizadas pela Justiça. A ação faz parte da Operação Nacional Contra a Corrupção, que o Ministério Público brasileiro deflagrou em 12 Estados do País através do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (Gncoc). O objetivo é desmantelar esquemas de corrupção nos Estados da Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Rondônia e São Paulo.
No Rio, foram denunciados por oferecerem propina e por associação para o tráfico o gerente das bocas de fumo na Mangueira, Jean Carlos Ramos Tomaz (o Beni), os irmãos Wagner Palomo Ferreira (o Waguinho)e Marcelo Palomo Ferreira, administradores de um bar que atuavam para facilitar o comércio de drogas na região; e Claudio de Oliveira Dias, o Belo.
O MP também denunciou por associação para o tráfico Alexandro Costa Borges (Sandro Negão), considerado homem de confiança do gerente da boca; e o motoboy Jony Ramos, responsável pelo transporte de drogas na Mangueira.
Propina
A tentativa de corrupção ocorreu no dia 13 de agosto de 2012 quando Wagner ofereceu propina a um policial militar que atua na UPP da Mangueira, dentro de seu bar. O objetivo era evitar o patrulhamento do local e a repressão ao tráfico de drogas na comunidade. A oferta foi comunicada ao comando da UPP, tendo início a operação para identificar os demais criminosos.
As negociações foram feitas por meio de um telefone comprado por Marcelo e entregue ao policial. No dia 8 de setembro, Marcelo avisou que o contato seria feito por volta de 20h. De acordo com as investigações, Jean Carlos informou ao PM sobre o acordo e perguntou sobre o valor desejado “para que ele não atrapalhasse os negócios”. Em continuidade à ação controlada, o policial infiltrado “garantiu” que não haveria patrulhamento ostensivo no local.
Jean voltou a entrar em contato no dia 24 de setembro reclamando que as viaturas da UPP estariam atrapalhando o negócio. Em seguida definiu o valor de R$ 700 para facilitar as atividades ilícitas da boca de fumo da localidade. O dinheiro foi entregue pelo denunciado Cláudio de Oliveira Dias em um bar da Lapa. A negociação e a entrega do dinheiro foram filmadas.
A ação contou com agentes da Coordenadoria de Inteligência da PM e da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) do MP-RJ. Os presos serão encaminhados para a 17ª DP (São Cristóvão).

