Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Maio de 2013

Rio

Policiais de UPPs fazem partos nas comunidades dos Prazeres e Coroa

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Policiais das UPPs Coroa/Fallet/Fogueteiro e Escondidinho/Prazeres, ambas em Santa Teresa, tiveram experiências bem diferentes na segunda-feira (25), dia do aniversário de dois anos das unidades. Chamados para socorrer moradoras prestes a dar à luz, eles se tornaram “obstetras” por instantes e realizaram o parto de dois bebês apressados por vir ao mundo.  

No Morro dos Prazeres, a menina Brenda foi entregue aos braços da mãe Maria Creuza Ferreira, de 33 anos, pelos soldados Anderson Soares e Anderson Pereira. Por volta das 19h, pouco depois de terem assumido o plantão, eles foram chamados para socorrer a moradora, cuja bolsa havia estourado.

"Não deu tempo de chegar à maternidade e fizemos o parto dentro da viatura mesmo. Enrolamos o bebê com o cordão umbilical e levamos para o hospital. Foi um momento único e especial", disse Pereira.

Mãe e filha foram encaminhadas para o Hospital Maternidade Escola da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), em Laranjeiras, de onde já receberam alta. Embora estivesse numa situação delicada, Maria Creuza afirmou que não ficou assustada porque os policiais passaram confiança.

"Nunca imaginei passar por isso, mas fiquei tranquila já que estava dentro do carro deles. Os policiais estão sempre nos ajudando. Já socorreram minha irmã quando ela teve um AVC. Estou muito agradecida, mais uma vez", explicou Maria Creuza, mãe de outros quatro filhos.

Os soldados Gonçalves, Thiago Almeida e Vinicius Caon, da UPP Coroa/Fallet/Fogueteiro, também tiveram seus dias de “parteiros”. Eles ajudaram no nascimento do quinto filho de Josélia da Silva, de 27 anos, moradora do Morro da Coroa.

"A filha dela mais velha chegou correndo e chorando aqui na UPP dizendo que o irmãozinho estava nascendo. Fomos até lá com a viatura e conseguimos ajudar a mãe. Até o cordão umbilical nós cortamos", afirmou Vinicius Caon.

 Após o parto improvisado, Josélia e o filho Kaique foram levados para a maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda, no Centro. Agradecida, ela disse que, em outros tempos, a chegada de socorro demoraria por causa da violência.

"Se a UPP não estivesse lá, teria sido difícil sair da comunidade. Eu ia ter de pedir autorização aos bandidos para a ambulância subir. O morro era muito violento. As coisas estão mais tranquilas, mas eu mesma nunca tinha conversado com os policiais. Agora, vou passar a vê-los com outros olhos", afirmou Josélia.

Durante o período de formação, os policiais recebem treinamento básico de primeiros socorros e informações sobre realização de partos. Com isso, além da segurança, estão preparados para atender esse tipo de emergência.

Tags: comunidades, nascimento, pacificadas, parteiros, soldados

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