Jornal do Brasil

Sábado, 25 de Maio de 2013

Rio

Prefeitos de 1ª viagem têm dificuldades em lidar com TCE

Cerca de 40 prefeitos compareceram ao "Encontro com novos gestores municipais"

Jornal do BrasilIgor Mello

A prestação de contas ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) é considerada pelos prefeitos de primeira viagem, eleitos em 2012, uma das principais dificuldades de administrar uma cidade. Por isso, foi grande a receptividade ao seminário “Encontro com novos gestores municipais”, promovido pelo órgão para instruir e tirar as dúvidas mais frequentes dos prefeitos e gestores públicos no uso dos recursos públicos.

Cerca de 40 prefeitos compareceram ao evento, que teve palestras sobre temas como prestação de contas e contabilidade, entre outras. A iniciativa foi exaltada por diversos políticos presentes, como o prefeito de Nilópolis, Alessandro Calazans (PMN):

Cerca de 40 prefeitos participaram do encontro no TCE-RJ
Cerca de 40 prefeitos participaram do encontro no TCE-RJ

"Eu acompanhei a preocupação do tribunal de não ter só o viés punitivo, mas também de orientar e levar as informações aos municípios e tentar capacitar os gestores municipais. É fundamental ter essa orientação, o tribunal está de parabéns. E no caso específico de Nilópolis, tivemos um plus. Solicitamos que o TCE fosse até lá nos ajudar a pesquisar e analisar o que está acontecendo, e hoje temos técnicos fazendo inspeções e nos orientando", diz o prefeito, que encontrou uma série de irregularidades deixadas pelo antecessor, Sergio Sessim (PP).

Nem tudo são flores na relação entre o TCE e as prefeituras, no entanto. Há quem se queixe da burocracia e falta de informações por parte do órgão, como o prefeito de São João da Barra, José Amaro Martins (PMDB):

"Eu gostaria que o TCE abrisse mais as portas, para que os municípios possam ter mais acesso às informações. E colocasse pessoas à disposição dos municípios para orientar melhor, é isso que precisamos. Com orientação melhor, só vai errar quem quiser errar", afirmou o peemedebista, que ainda lembrou do medo que muitos gestores sentem por falta de informações. "Por falta de segurança e informação, ficamos até com medo de gastar recursos do governo federal e estadual, porque a prestação de contas é mais rígida", conclui.

O presidente do TCE-RJ, o conselheiro Jonas Lopes de Carvalho Junior, no entanto, diz que o tribunal está de portas abertas a todos os prefeitos e acredita que falte iniciativa por parte deles:

"O TCE não é o bicho papão que eles imaginam. Nossa intenção em primeiro lugar é orientar. Disponibilizamos uma equipe para tirar dúvidas. Aqueles que imaginam que vão fazer uma coisa errada: calma, primeiro venham no TCE para saber. Talvez o prefeito de São João da Barra esteja um pouco equivocado, pois ele deveria ter vindo ao tribunal antes e não só para esse evento", discordou o conselheiro.

Herança maldita

A principal reclamação dos prefeitos em primeiro momento é o que chamam de "herança maldita" da administração anterior. Em muitos casos, o antecessor, antes de deixar o cargo, faz uma série de dívidas ou precariza as contas públicas, de modo a deixar uma situação insustentável para quem assume o cargo. Segundo Jonas Lopes, embora alguns políticos usem esse tipo de reclamação para atacar os antecessores, o órgão está atento a abusos:

"A Lei de Responsabilidade Fiscal é muito rígida, especificamente com o final de governo. Se houver o cometimento de determinados atos, são punidos até com pena de prisão. Estamos nos 91 municípios fiscalizando esse final de gestão", prometeu o presidente do TCE.

Tags: contas, justiça, município, prefeituras, Rio de Janeiro

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