Jornal do Brasil

Quarta-feira, 19 de Junho de 2013

Rio

Sindicato: possível greve não atrapalhará volta às aulas

 Trabalhadores pedem piso de R$ 2 mil, aumento de cesta básica e plano de saúde 

Jornal do BrasilHenrique de Almeida

Os motoristas e cobradores de ônibus do Rio de Janeiro estão reunidos na tarde desta segunda-feira(18) para definir se a categoria realmente entrará em greve nesta semana no município.

O presidente do Sindicato Municipal dos Trabalhadores Empregados em Empresas de Transporte Urbano de Passageiros do Município do Rio de Janeiro (Sintraturb-Rio) garantiu que a greve não irá afetar os cariocas na semana de volta às aulas. Resta saber, como.

Motoristas e cobradores estão reunidos para decidir se categoria entra em greve
Motoristas e cobradores estão reunidos para decidir se categoria entra em greve

"Vamos fazer tudo de acordo com a legalidade: se a greve for deflagrada, vamos comunicar a decisão aos empregadores e aos usuários com antecedência mínima de 72 horas da paralisação. O prefeito também será avisado", declarou Sacramento, que também lembrou que, nesta hipótese, o sindicato organizará a manutenção de parte da frota de ônibus.

Sacramento lembrou ainda que o Sindicato é reconhecido como representativo para a categoria desde março de 2012, quando foi expedida uma liminar emitida pela Justiça do Trabalho. "Somos uma especificação do Sindicato dos Rodoviários, que é um sindicato que chamamos de "eclético". O nosso sindicato lida com essa categoria", explicou.

Piso Salarial

O piso salarial pedido pela categoria é de R$ 2 mil, um aumento de 23% no salário atual da categoria, de R$ 1.618. "Na ponta do lápis: a diária do motorista de ônibus é de R$ 53,94. Cada hora extra são mais R$ 11,52. Se uma pessoa trabalha duas horas extras, são R$ 77 por dia. Em um mês de 30 dias, isso dá R$ 2.300. Por que os trabalhadores não ganham isso? "questionou, tentando minimizar as complicações da dupla função. "Um motorista júnior ganha R$ 900, dirige um carro grande, com toda a pressão, sem cobrador. É complicado. Queremos mudar o sistema que causou isso, e não botar a culpa somente no motorista", frisou.

A carga de trabalho extenunante é uma das principais reclamações da categoria. Segundo o presidente, a carga horária pode chegar a 18 horas por dia, e o trabalhador muitas vezes não vê a cor do dinheiro de suas horas extras:

"Se ainda fossemos pagos pelas horas extras, tudo bem, mas não é isso que acontece. O trabalhador quase se mata de trabalhar e não vê o trabalho compensar", revoltou-se o sindicalista.

A cesta básica também é uma questão delicada. Segundo ele, a bolsa de R$ 80 não possibilita ao trabalhador nem a compra de uma ração para cachorro:

"Em Belo Horizonte, nós temos uma cesta básica no valor de R$ 284. Aqui, o que temos é uma indecência", lamentou.

Saúde é motivo de drama

Para completar, o sindicalista lembra a falta de assistência de saúde para os trabalhadores. "Os trabalhadores do Rio nunca tiveram plano de saúde. No Brasil inteiro existe esse benefício, e nós também queremos", explicou ele, finalizando com uma crítica ao sistema público de saúde:

“A única saúde a que temos direito é ir até uma Unidade de Pronto Atendimento(UPA), onde muitas vezes não somos sequer atendidos", finalizou Sacramento.

A Secretaria Municipal de Transportes não respondeu às perguntas sobre a possibilidade de greve enviadas pelo Jornal do Brasil.

Leia a nota na íntegra

Tags: alimentação, básica, carga, cesta, drama, horária, ironia, onibus, SAÚDE, sindicalismo

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