Funcionários do Maracanã fazem paralisação de 24 horas
Medida é advertência para que Consórcio faça acordo coletivo com data limite para ajustes
Os operários do Consórcio Maracanã Rio 2014 decidiram paralisar, no período de 24 horas, os trabalhos da construção do Estádio Mário Filho nesta segunda-feira (18), em busca de que novas propostas surjam, por meio de um acordo coletivo, entre trabalhadores e o Consórcio, que ofereça melhores salários e benefícios.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Pesada (Sitraicp), Nilson Duarte Costa, esta paralisação é, por enquanto, “uma advertência para que o Consórcio se manifeste quanto a um acordo”.
O presidente do Sitraicp reuniu-se em assembleia junto aos trabalhadores pela manhã, quando foi decidido que haveria a greve. Já que o prazo máximo de inauguração do estádio é até 24 de maio, os funcionários alegam que também desejam uma data limite para incorporarem os ajustes nos seus salários e benefícios. O estádio receberá a estreia da Copa das Confederações de 2013, marcada para 13 de junho.
Ainda segundo o sindicalista, há uma convenção separada dos outros sindicatos para os operários responsáveis pela construção do Maracanã, que prevê uma cesta básica maior e melhores salários em determinadas funções dentro da obra, garantidos após negociações feitas em detrimento da última greve dos funcionários. “Os trabalhadores não querem esperar o acordo geral que incluem todas as obras do Rio de Janeiro e de mais 32 municípios. A reivindicação é para que o estudo dos benefícios e salários dos funcionários do estádio mantenha-se separado, como foi feito em 2012”, disse ele.








Nilson Duarte informou também a proposta feita ao sindicato patronal na semana passada: reajuste salarial de 15%; cesta básica de R$ 330; plano de saúde também para familiares; participação nos lucros de dois salários, além de hora extra de 100%. Conforme contou o presidente do sindicato, o governador do Rio, Sérgio Cabral, vai receber nesta segunda, às 16h, no Palácio Guanabara, representantes do Consórcio Maracanã 2014 e o presidente do Sitraicp, além de uma comissão com três operários das obras, para negociar quanto aos salários e benefícios dos trabalhadores.
Uma nova assembleia também será realizada no dia 25 (segunda-feira), no portão 13 do estádio, às 7h, para decidir o destino destes operários, de acordo com as medidas tomadas pelo Consórcio e o Governo, após a greve.
Maracanã em números
Orçada em R$ 869 milhões, a reforma do Maracanã mobiliza um exército de trabalhadores: 5,5 mil. O grande número de empregados pode ser explicado pela preocupação em entregar a obra dentro do novo prazo informado à FIFA. Inicialmente, o estádio, cuja reforma começou em dezembro de 2009, deveria ter ficado pronto em dezembro de 2012. Esse prazo foi adiado para fevereiro de 2013 e, posteriormente, para 15 de abril de 2013. Agora, a inauguração está marcada para o dia 28 de maio deste ano.
Ao longo das obras, o Consórcio Maracanã enfrentou outras duas greves de operários, em agosto e setembro de 2011.
