Jornal do Brasil

Sábado, 18 de Maio de 2013

Rio

Filha de juíza assassinada hesita em seguir caminho da mãe

Portal Terra

Aos 13 anos, Ana Clara passou pela experiência traumática de perder a mãe assassinada a tiros na frente de casa. O crime motivou a menina a seguir a carreira de Patrícia Acioli. Mas, depois de passar pelos dois primeiros júris dos responsáveis pela morte, ela agora hesita.

"Eu ainda não sei. Às vezes, pesam mais os prós da profissão, outras vezes pesam mais os contras. Vivemos num mundo muito desigual. Graças a Deus, o caso da minha mãe teve repercussão e o resultado está sendo justo. Acho que eu não seria uma juíza tão corajosa quanto a minha mãe", afirma, aos 15 anos.

Ana Clara não arredou pé da sala de julgamentos do 3º Tribunal do Júri de Niterói, onde três acusados de participação no assassinato de sua mãe foram condenados a penas rígidas - a mais leve foi de 22 anos e seis meses de reclusão. Ficou emocionada com o desfecho e sensibilizada quando o advogado da família, Técio Lins e Silva, lembrou dela em sua sustentação e lhe repassou uma frase do filósofo Edward Burke que costumava nortear o trabalho da juíza: "para o domínio do mal, basta que os bons não façam nada".

"Eu senti muito orgulho da minha mãe. Ela era uma pessoa muito correta, que procurava fazer justiça", contou entre lágrimas a menina, que teve sentimentos conflitantes durante o júri. "Quando eu via os réus dando aquelas justificativas falsas me deu muita revolta. Mas a sentença me deu alívio."

O assassinato de Patrícia Acioli

Patrícia foi assassinada com 21 tiros em agosto de 2011 quando chegava em sua casa, em Piratininga, Niterói. O caso teve a primeira condenação em dezembro do ano passado quando o cabo da polícia militar Sérgio Costa Junior, réu confesso, foi condenado a 21 anos de prisão. Ele admitiu ter atirado 15 vezes na juíza e obteve a delação premiada, que diminuiu em 15 anos a sua pena.

A Justiça ainda não tem data para os julgamentos dos dois principais acusados do crime: o tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira, que comandava o 7º BPM (São Gonçalo) na época e teria sido o mandante do assassinato, e o tenente Daniel dos Santos Benitez, que chefiava diretamente o grupo de PMs acusados do crime. Ao todo são 11 os réus, quatro já condenados. 

Tags: Cabo, juíza, julgamento, morte, Rio

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