Crianças escrevem mensagens de paz em muro que já foi símbolo do tráfico
Pintura, grafite e criatividade. Rua da comunidade da Chatuba, na Penha, que já foi um ícone do tráfico local e que atualmente abriga a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da região, ganhou mensagens de esperança.
Quinze crianças, integrantes do projeto Liga do Bem ? criado por uma instituição com o mesmo nome, que atua com voluntários ? carimbaram suas mãos e seus anseios por uma comunidade melhor em muro da Silva Passos, rua que dá acesso à quadra poliesportiva da localidade. A ação, fruto da parceria com a UPP, teve como objetivo marcar o novo tempo de sonhos que as crianças da comunidade vivem.
Antes da pacificação da região, a quadra, que foi construída pela prefeitura há mais de 30 anos, era palco de bailes funk e de pontos de venda de droga. Traficantes da área chegaram até a construir um camarote para acompanhar e vigiar as festas de um ponto privilegiado. Com a parceria de policias e moradores, essa realidade fica cada vez mais distante do presente das crianças da área.
Norteadas pela pergunta "qual o sonho que tenho para a minha vizinhança?", as crianças elaboraram seus desenhos com mensagens de esperança para a comunidade, que recebeu uma unidade de pacificação em junho de 2012. Com a ajuda de grafiteiros, os pequenos transformaram o muro em um espaço de novas perspectivas.
Pedido de paz
O tema mais recorrente entre os desenhos das crianças foi a paz na comunidade, seguido pelo desejo de ruas mais limpas. O menino Kevin de Oliveira, de 11 anos, autor de um dos desenhos escolhido para ser reproduzido e pintado no muro pelos colegas ? ao todo, foram selecionados dois trabalhos para reprodução ? desenhou um menino jogando bola e pedindo paz.
"Gosto muito de futebol, por isso desenhei um jogador de futebol com a bola na mão", disse o menino, que confessou estar dividido entre ser jogador de futebol ou engenheiro. "Ainda tenho dúvida do que vou querer ser quando crescer. Gosto muito de futebol, mas também gostaria de ser engenheiro da Petrobras. Vou ter que estudar muito para isso, mas eu sou um bom aluno", comentou.
O outro desenho selecionado foi de Tiago de Jesus, de 11 anos. Ele tem muito que comemorar, e não é só pelo desenho. Pela primeira vez ele vai entrar em uma sala de aula. A iniciativa de inserir o menino na escola partiu da educadora e fundadora da Liga do Bem, Ana Paula Mendonça.
Ana, que leciona música, contou como foi o processo. "Em uma das atividades do grupo, pedi que ele lesse um trecho de um livro. Na hora ele ficou quieto, mas depois me confessou que não sabia ler. Chamamos a responsável e conversamos com ela sobre a importância dele frequentar uma escola. Quando ele recebeu a notícia de que iria para a escola, os olhos dele brilharam", relatou.
