Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

Rio

Causa mortis de líder do MST ainda é desconhecida

Defesa de herdeiros de Cambahyba acusa militantes por morte de Cícero Santos 

Jornal do BrasilCaio Lima*

O advogado Carlos Alberto Senra, que representa os interesses dos herdeiros da terra de Cambahyba, em Campos dos Goytacazes, norte fluminense, acusa os próprios militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) pela morte do ex-coordenador do movimento, Cícero Guedes dos Santos, ocorrida no último sábado (26), próxima à Usina de Cambahyba.

Um dos líderes do MST no estado do Rio, Hermes Oliveira, no entanto, garante que nenhum integrante praticou o assassinato. O engenho de açúcar desativado é composto por sete fazendas e 3,5 mil hectares de extensão. 

Na última segunda-feira (28), Senra entrou com representação no Ministério Público estadual e pediu ao órgão que acompanhe o caso. Segundo ele, “além de investigar a causa mortis, o pedido é para notificar ao menos três membros coordenadores do MST e buscar informações de quantos estão no terreno e qual critério para estarem ali”.

“Ao que me consta, a região nunca teve conflitos agrários. Quem acompanha o MST sabe que quem usa violência são os próprios membros, tanto na invasão quanto para a permanência no local. Para mim, não é nada mais nada menos do que um acontecimento dentro do próprio acampamento. Eles têm conflitos internos na disputa de glebas de terra, por isso acredito que o fato ocorreu após alguma dessas brigas”, afirma o advogado.

Já o líder Hermes Oliveira, ao ser questionado pelo Jornal do Brasil sobre a opinião de Senra, refutou qualquer ligação de integrante do movimento no crime.

“Militante nosso com certeza não foi. No entanto, não posso dizer que não tenha sido um acampado agregado por interesses pessoais. Não temos como selecionar quem pode acampar ou não. Fazemos um acampamento com quem quer lutar pela reforma agrária, mas nesse meio não tem como saber se tem matador, traficante. Se identificamos, embora identificar seja papel do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), tentamos sempre afastar do grupo”, ressaltou o Sem-Terra.

O advogado Senra acusa os Sem-Terra de usar a morte do ex-coordenador do movimento para fazer política: “Eles querem politizar. Com 38 anos de escritório de advocacia, me parece que usam o crime para se aproveitar e deflagrar a desapropriação da área de Cambahyba”. 

O terreno em questão, onde estão acampados os Sem-Terra, é alvo de disputa judicial entre os clientes do advogado e o Incra.

Investigação

De acordo com Hermes Oliveira, que acompanha a investigação de perto, algum parecer do delegado Geraldo Assed, da 134ª DP (Campos), que investiga o crime, está próximo de ser feito.

“As investigações andam bem. O delegado disse que alguma ação contra um suspeito deve ser feita em breve, mas ele não quis entrar muito nos detalhes para ‘não assustar ninguém’”, disse Oliveira.

Segundo o Sem-Terra, no entanto, uma ligação recebida por Cícero, às 8h da manhã, teria ligação com o crime: “Esse telefonema, de número restrito, como falou o delegado, o chamou para uma emboscada, na minha opinião”, apostou Oliveira.

Após dois dias tentando entrar em contato, por telefone, com o delegado da 134ª DP, o JB não obteve resposta. O plantão da delegacia apenas afirmou que só o delegado pode se pronunciar, mas que o próprio não falaria no momento.

A assessoria de imprensa da Polícia Civil de Estado do Rio de Janeiro confirmou nesta quarta-feira (30), via e-mail, que "de acordo com informações do delegado Geraldo Assed Stefan, da 134ªDP (Campos), testemunhas foram ouvidas e mais informações não podem ser divulgadas para não atrapalhar as investigações".

O Crime

Cícero Guedes dos Santos foi encontrado morto no último sábado (26) após deixar o acampamento do MST na Usina de Cambahyba. O militante foi baleado com 12 tiros em uma estrada rural próxima à usina.

*Do Programa de Estágio do Jornal do Brasil

Tags: advogado, crime, militante, ministério público, mst, Terra

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