Família de Patrícia Acioli quer condenação por homicídio e quadrilha
A família de Patrícia Acioli mostrou confiança que os três acusados do assassinato da juíza que começaram a ser julgados hoje sejam condenados não só pelo crime de homicídio triplamente qualificado, mas também por formação de quadrilha. O julgamento dos policiais militares Jeferson de Araujo Miranda, Júnior Cezar de Medeiros e Jovanis Falcão Junior ocorre no 3º Tribunal do Júri de Niterói.
"As provas para formação de quadrilha são as mais óbvias. Qualquer júri minimamente comprometido com a verdade não vai acreditar na tese da defesa. Todos contribuíram para o crime", afirmou o primo da juíza Humberto Nascimento. "Esta condenação é importante porque depois ninguém poderia escapar de ser condenado".
Irmã de Patrícia, Simone Acioli aguarda por uma condenação por pena longa. "É a nossa expectativa porque foi um crime planejado e que envolveu várias pessoas. Eles são todos culpados", disse.
O caso teve a primeira condenação em dezembro do ano passado quando o cabo da polícia militar Sérgio Costa Junior, réu confesso, foi condenado a 21 anos de prisão. Ele admitiu ter atirado 15 vezes na juíza e obteve a delação premiada, que diminuiu em 15 anos a sua pena. A Justiça ainda não tem data para os julgamentos dos dois principais acusados do crime: o tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira, que comandava o 7º BPM (São Gonçalo) na época do assassinato e teria sido o mandante do assassinato, e o tenente Daniel dos Santos Benitez, que chefiava diretamente o grupo de PMs acusados do crime.
O caso
A juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, foi assassinada a tiros dentro de seu carro, por volta das 23h30 do dia 11 de agosto de 2011, na porta de casa em Piratininga, Niterói. Segundo testemunhas, ela foi atacada por homens em duas motos e dois carros. Foram disparados 21 tiros de pistolas calibres 40 e 45, sendo oito diretamente no vidro do motorista. Patrícia, 47 anos, foi a responsável pela prisão de quatro cabos da PM e uma mulher, em setembro de 2010, acusados de integrar um grupo de extermínio de São Gonçalo.
Ela estava em uma "lista negra" com 12 nomes possivelmente marcados para a morte, encontrada com Wanderson Silva Tavares, o Gordinho, preso em janeiro de 2011 em Guarapari (ES) e considerado o chefe da quadrilha. Familiares relataram que Patrícia já havia sofrido ameaças e teve seu carro metralhado quando era defensora pública.

