Jornal do Brasil

Quarta-feira, 19 de Junho de 2013

Rio

Índios querem garantia de Cabral para deixarem o prédio do Museu

Reunião no DPU elabora estratégia para tombamento pelo Iphan

Jornal do BrasilHenrique de Almeida

.O cacique Tukano, um dos líderes da Aldeia Maracanã, não escondeu sua irritação com o uso da expressão, "invasores" na nota oficial do Palácio Guanabara, na qual o governo do Estado anunciou, na tarde desta segunda-feira (28) sua mudança de posição com relação ao prédio do antigo Museu do Índio. 

"Enquanto o governador não disser para onde vamos, nós não vamos sair daqui. Precisamos ter garantia da nossa moradia e do restauro desse prédio", disse ele após conhecer os termos da nota. Nela Sérgio Cabral admite não mais demolir o prédio, mas fala que desalojará os "invasores", a expressão que o cacique considerou infeliz.

"Não estamos soltando fogos. Ainda é muito vago esse processo todo. Só vou ficar mais tranquilo a partir do momento que conversarmos com ele", comentou. "O que temos é uma vitória passageira, mas queremos mais. Queremos que este seja um centro de referência indígena para o Brasil todo", finalizou o cacique.

>> Cabral não demolirá prédio, mas quer despejar índios

O cacique da Aldeia Maracanã - que o governador não reconhece como aldeia - pretende ser recebido por Cabral para discutir pessoalmente a questão. Mas, segundo ele, caso o governador não o receba, ele pretende ir a Brasília cobrar da presidente Dilma Roussef uma posição sobre o assunto. Nesta segunda-feira, porém, a Advocacia Geral da união, em manifestação junto ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região, lavou as mãos e declarou que a União não tem interesse no caso.

DPU e índios reunidos

Em reunião na sede da Defensoria Pública da União no Rio de Janeiro, no centro, os defensores públicos André Ordacguy e Daniel Macedo, junto a representantes da OAB e do movimento Juristas para a Democracia, se reuniram com os índios da Aldeia Maracanã para tratarem de estratégias para conseguir o tombamento junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Brasília.

O primeiro ponto é uma carta, a ser enviada ao governador Sérgio Cabral até esta terça-feira (29), detalhando a postura dos índios e deixando claro que eles não sairão da aldeia, se não houver diálogo. "É um momento em que precisamos dialogar, estabelecer metas", disse Marize Oliveira, professora de história indígena e uma das primeiras ocupantes da Aldeia. As assinaturas serão dos índios que residem na aldeia, além dos defensores públicos que os acompanham durante o caso.

O segundo ponto é pedir um tombamento material, imaterial e de valor histórico ao prédio. "Aquele edifício tem em si a história da cultura indígena no Estado do Rio de Janeiro e do Brasil", lembrou Rafael Gonçalves, representante do presidente da seção do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz.

Não há garantias

Finalmente, a última questão posta é federalizar a questão, através do Ministério da Cultura, da Câmara, do Senado e dos órgãos que estão apoiando a causa, como a própria Defensoria Pública, a Associação Brasileira de Imprensa(ABI) e a OAB.

O juiz João Batista Damasceno, da Associação dos Juízes para a Democracia, alertou: "O que nos foi passado pelo governo do Estado é pouco. Não há qualquer garantia de que os termos serão respeitados", explicou, deixando claro que o tombamento dado pelo governo do estado não é o suficiente. "Vamos em busca do tombamento confiável, que é o do Iphan", explicou Damasceno.

"Precisamos provocar, direcionar isso, inclusive através da mídia e dos artistas que nos apoiam", disse o defensor público Daniel Macedo, referindo-se a artistas como Caetano Veloso e Chico Buarque como nomes que poderiam agregar mais peso à causa.

Uma das medidas também envolve a Copa das Confederações, que será disputada no Brasil entre junho e julho. "Vamos contactar os países que participarão da Copa das Confederações, para que eles também possam apoiar a nossa causa. É um esforço que temos que fazer", exemplificou Rafael Gonçalves, acompanhado por Daniel Macedo que, sem querer, criou um slogan para a campanha de tombamento:

"A Aldeia Maracanã é de todos", finalizou o defensor público.

A Defensoria Pública da União divulgou nota na noite se segunda-feira criticando a postura do governo ao não comunicar diretamente aos interessados pela causa a decisão de não mais demolir o prédio. No texto, o órgão ainda destaca a importância da preservação dos bens "imateriais" - (dar destinação cultural indígena ao uso do prédio, após tombado e recuperado) e a permanência dos índios.

Veja a nota:

"A Defensoria Pública da União no Rio de Janeiro (DPU/RJ) tomou conhecimento, através da imprensa, que o governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, teria voltado atrás na decisão de demolir o antigo Museu do Índio e que o imóvel seria tombado e restaurado, após a desocupação do local pelo povo indígena da Aldeia Maracanã, que recebe por parte do Governador o tratamento de “invasores”. 

A DPU/RJ informa que não recebeu nenhum comunicado oficial sobre esta informação e lamenta a atitude do Governo do Estado que optou por divulgar sua “nova” posição à imprensa, sem fazer o mesmo em relação à parte interessada, os índios da Aldeia Maracanã, e à esta Instituição, que os representa nos processos que ora tramitam na Justiça Federal. 

É importante destacar que não havendo notificação oficial, não há informação oficial. Ou seja, uma “nota à imprensa” não gera nenhum compromisso legal. 

Apesar do exposto acima, a DPU/RJ, por intermédio dos defensores públicos federais André Ordacgy e Daniel Macedo, baseando-se no teor da nota citada, repassada à instituição por profissionais da imprensa, declara que a preservação do patrimônio material não resolve o problema, já que “as considerações da sociedade / interesses da coletividade” incluem também a preservação do patrimônio imaterial (dar destinação cultural indígena ao uso do prédio, após tombado e recuperado) e a permanência dos índios. 

Ainda com base no que diz a nota encaminhada à imprensa pela assessoria do Governo do Estado do Rio de Janeiro, “o destino do prédio, após o tombamento, será discutido conjuntamente entre o Governo do Estado e a Prefeitura do Rio de Janeiro”. Sendo assim, o Governo do Estado não oferece nenhuma garantia de que o imóvel abrigará um Centro de Referência da Cultura Indígena, como é da vontade daqueles que têm se manifestado em favor tanto da preservação do prédio histórico, quanto da permanência dos indígenas."

Tags: aldeia, gonçalves, macedo, maracanã, ordacguy

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Comentários

2 comentários
  • Luiz Carlos De Aquino Bruno

    Como esses "indios" são chatos.Não existe "aldeia maracanã", nem poderia pois toda aquela area era um grande charco.O predio tambem não possui nenhum interesse historico,esta lá abandonado a mais de 40 anos.O brasil precisa se livrar desse passado e parar de achar que temos de tutelar indio a vida inteira.Uma cultura mais avançada chegou nas americas e foi se mesclando com o que havia,e trouxe o conhecimento.É um absurdo se achar que em pleno 2013 precisa haver pessoas vivendo como em 1500.Eles perderam e continuam perdendo suas terras porque não querem se atualizar e se modernizar,eles querem ficar à parte,não se sentem brasileiros,não estão engajados no nosso desenvolvimento.Essa questão é facil de se resolver.No momento eles são realmente invasores de um próprio estadual e para que se faça qualquer coisa naquele prédio eles precisam deixar o local.Será que é tão dificil a justiça entender isso.Mais claro impossível. É claro que todos esses artista e intelectuais logo aparecem para se promoverem.Será que o Buarque com essa idade, toda nunca viu esse predio quando ia ao maracanã esses anos todos, e com toda a facilidade de aparecer na midia nunca disse uma palavra sobre isso e agora aparece como defensor de uma mentira,fala sério.Porque não hospeda eles em um dos seus imensos apartamentos no leblon.O JB esta sendo totalmente imparcial nessa questão e precisa buscar a grande maioria que não tem tempo de ficar indo a manifestações, porque precisa ganhar a vida.Bem diferente do "cacique tucano".Não se esqueçam que essa imensa maioria elegeu recentemente Cabral e Paes e certamente estão com eles nessa demanda.

  • Marcelo Santille

    O acervo do museu do índio está guardado na nova sede desde 1977 e já foi visitado por mais de 100 mil pessoas. O terreno foi invadido em 1906 por índios que estão sendo incentivados pela oposição para se recusarem a deixar o local. O governo já ofereceu tudo para os índios e provou que ninguém será prejudicado. Os índios receberão o aluguel social e será construído um Centro de referência da Cultura indígena.

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