Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Maio de 2013

Rio

Caso Adrielly: médico será indiciado por fraudar folha de ponto

Portal Terra

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deve indiciar o médico Adão Crespo por falsidade ideológica e estelionato. Ele era o cirurgião escalado para o plantão na noite de Natal no hospital Salgado Filho, quando a menina Adrielly dos Santos Vieira, 10 anos, chegou à emergência da unidade de saúde após ser baleada na cabeça. Ela teve de esperar oito horas para ser atendida e morreu. 

Agentes da delegacia fazendária ficaram quatro horas no hospital Salgado Filho e conversaram com funcionários para saber se o neurocirurgião trabalhava com regularidade na unidade. Ele recebia R$ 4.542 por mês para fazer dois plantões de 12 horas por semana. A folha de ponto mostra que ele não compareceu nenhum dia no mês de dezembro. A delegada responsável pelo caso tem indícios para afirmar que Adão Crespo adulterou a folha de ponto do mês de novembro para não ter as faltas apontadas. As informações são do RJTV.

"Embora na folha de ponto conste apenas uma falta do Dr. Crespo no serviço, na verdade ele faltou todo o mês de novembro. Aqui se consegue provar uma fraude. Aqui a gente já apurou que só no mês houve falsidade ideológica e também estelionato, em razão dessa fraude ele se beneficiou financeiramente, ele recebeu sem trabalhar", afirmou a delegada Izabela Santoni. 

Alex Souza, advogado de Adão Crespo, reconheceu ontem que o neurocirurgião não ia ao trabalho ainda há mais tempo, e que era substituído por outro médico.

"No período de mais ou menos um ano para cá, (ele) tem lançado mão de um substituto, que é o neurocirurgião do hospital Salgado Filho, e com apoio e aquiescência tanto do chefe do serviço de emergência de neurocirurgia quanto da própria direção do hospital", afirmou. 

Todos que trabalharam na noite do dia 24 serão chamados para prestar depoimento. A Secretaria Municipal de Saúde informou que vai dar início a uma auditoria em todos os hospitais da rede para levantar casos semelhantes ao de Adão Crespo. 

Segundo a polícia, a médica Valéria Reis, chefe de emergência do Salgado Filho, deveria comunicar as ausências de Crespo no mês de novembro, mas não o fez. O inquérito em andamento vai apurar as responsabilidades dela no caso.

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