Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Maio de 2013

Rio

Prefeitura impede Estado de demolir prédio do antigo Museu do Índio

Parecer do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural veda derrubada

Jornal do BrasilCaio de Menezes

O Estado do Rio de Janeiro está proibido de demolir o prédio onde funcionou o Museu do Índio, vizinho ao Complexo do Maracanã. Em sessão realizada em dezembro último, o Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural emitiu parecer contrário ao pedido de demolição feito pelo governo Cabral, e sinalizou para um possível tombamento do lugar. 

"...do ponto de vista estrito do patrimônio cultural, se opõe à demolição do imóvel por considerar seu valor arquitetural como imponente exemplar da arquitetura eclética do início do século XX.", disse o documento assinado pelo presidente do CMPC, Washington Fajardo, que destaca a possibilidade de tombamento. "Há indicação de tombamento do imóvel através do processo administrativo nº 12/000311/201 de 17/02/201".

Documento veta demolição do imóvel
Documento veta demolição do imóvel

De acordo com o decreto municipal 20.048/2001, a demolição e/ou alteração de edificações construídas até o ano de 1937 (como é o caso do antigo Museu do Índio) somente serão autorizadas após pronunciamento favorável do CMPC, o que ainda não aconteceu. A existência deste decreto é, inclusive, destacada entre os argumentos utilizados pela Defensoria Pública da União (DPU) em Ação Civil Pública (ACP), que pede o tombamento do prédio. 

No entanto, pela hierarquia municipal, o prefeito Eduardo Paes poderia derrubar a decisão do CMPC.

Outro entrave para Cabral

O defensor público federal André Ordacgy, do 1º Ofício de Direitos Humanos e Tutela Coletiva, da DPU, acrescenta que o Estado do Rio de Janeiro só poderá entrar no imóvel e retirar os índios se obtiver na Justiça Federal um mandado judicial de imissão na posse contra a comunidade indígena Aldeia Maracanã, que habita o local. 

“Assim como o particular não pode tirar pela força bruta um ocupante de um imóvel, da mesma forma o Poder Público também está sujeito às leis e não pode retirar os índios senão por meio de uma ordem judicial. Como a ação de imissão na posse é contra os índios e a propriedade do imóvel ainda é da CONAB (empresa pública federal), visto que o Estado do Rio de Janeiro é apenas promitente comprador, a competência é da Justiça Federal”, explica o defensor.

Órgão da Prefeitura do Rio classificou imóvel como 'imponente exemplar da arquitetura eclética' 
Órgão da Prefeitura do Rio classificou imóvel como 'imponente exemplar da arquitetura eclética' 

Segundo Ordacgy, a demolição do imóvel sem que sejam respeitados os trâmites legais pode acarretar em punição aos representantes do Estado.

"No plano fático, o Estado pode chegar lá com seus aparelhos e demolir o prédio. Mas isso implicaria em ações no plano jurídico", argumentou o defensor. "Improbidade administrativa, suspensão de direitos políticos, perda de cargo público, ressarcimento ao erário, além da responsabilização criminal, são algumas das punições cabíveis a quem determinar essa demolição".

Resistência

Preocupada com uma suposta demolição do antigo Museu do Índio, que aconteceria no domingo (13/12), informação negada pelo Governo Estadual, os integrantes da Aldeia Maracanã, que receberá o VII Congresso Frente Internacionalista dos Sem-Teto (FIST), organizam uma resistência. A ideia dos indígenas é receber militantes, apoiadores e participantes do encontro, que ocorre no domingo.

"Convidamos a militância para dormir, no sábado, na Aldeia Maracanã, a fim de organizar o Congresso e a resistência da Aldeia, secularmente pertencente aos indígenas, que o governo Sérgio Cabral pretende remover criminosamente para construir um estacionamento", denuncia um comunicado publicado no blog da FIST.

 

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