Jornal do Brasil

Quarta-feira, 19 de Junho de 2013

Rio

RJ: São Gonçalo decreta estado de calamidade pública

Portal TerraMarcus Vinicius Pinto

Sem medicamentos, material básico de atendimento, com gente sendo atendida no banheiro e uma situação considerada caótica, a prefeitura de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, decretou nesta segunda-feira estado de calamidade pública na saúde. O prefeito Neiltom Mullin (PR) espera receber ajuda tanto do governo estadual quanto do governo federal, para poder reestabelecer o mais rápido possível o atendimento médico básico no Hospital da Mulher, Hospital de Alcântara e Hospital Alberto Torres, todos do município. 

"Encontramos gente sendo atendida no banheiro, porque as salas não têm condição de trabalho, estão todas quebradas", disse o prefeito. "Faltam remédios, soro e outros materiais básicos de atendimento", completou. Além disso, o setor de ortopedia masculina funcionava dentro do Hospital da Mulher e os médicos decidiram cruzar os braços na primeira semana do ano em busca de solução. Alguns registraram queixa contra o município na 73ª delegacia, para se resguardarem de responsabilidades. 

De acordo com fontes ligadas aos médicos, pacientes chegaram a comer no chão no Hospital de Alcântara porque as mesas sumiram. Computadores, macas e cadeiras também desapareceram dos hospitais. Para Neilton Mullin, a decretação do estado de calamidade pública vai servir para saltar algumas burocracias e conseguir receber ajuda rápida do governo. 

"Já me reuni com o secretário estadual de saúde, Sergio Cortes, que veio até aqui ver nossa situação e começou a enviar material para os hospitais, mas ainda há muito a ser feito até devolvermos à população um atendimento digno", disse Mullin, que pretende pedir uma audiência à presidente Dilma Rousseff nas próximas semanas para sensibilizar a presidente a liberar verbas para tentar salvar a saúde do município. "Tenho que governar com seis braços: os da prefeitura, do governo do Estado e do governo federal", afirmou. 

Município com a segunda maior população do Estado do Rio, com quase 1 milhão de habitantes, São Gonçalo tem um orçamento anual de R$ 890 milhões e, de acordo com o prefeito, cerca de R$ 100 milhões em dívidas. "Temos um orçamento pequeno em relação à população e temos Que encontrar uma fórmula para acertar nossas contas", disse, prometendo cortar cinco secretarias e vários cargos comissionados como exemplo. "Precisamos também reforçar o quadro do setor de saúde, fazendo com que funcionários que estejam emprestados em outras secretarias voltem a seus setores”, disse.

Histórico de deslizamentos

Em janeiro de 2011, a baixada fluminense enfrentou a maior tragédia climática da história do Brasil. Foram 918 mortos e mais de 215 desaparecidos após as fortes chuvas que atingiram sete municípios da região. As cidades mais atingidas foram Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis, Bom Jardim, Areal, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto.

No ano anterior, em 2010, uma série de deslizamento deixou mais de 50 mortos em Angra dos Reis nas primeiras horas do dia 1º de janeiro. O deslizamento de uma encosta atingiu uma pousada e sete casas na Ilha Grande, matando pelo menos 19 pessoas. No continente, mais vítimas foram contabilizadas em outros desabamentos.

Tags: baixada, Fluminense, Hospital, médico, Rio

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