Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Rio

Vila Cruzeiro e Parque Proletário, no Complexo da Penha, recebem UPPs 

Com a segurança garantida, moradores clamam por saúde, educação e serviços

Jornal do BrasilCaio de Menezes

Os moradores em comunidades pacificadas do Rio de Janeiro ganharam um serviço, que conta com apenas uma linha e um atendente, para denúncias, elogios e críticas ao programa de Unidades de Polícia Pacificadora. Além da criação do Disque-UPP (2334-7599), o comandante das UPPs, coronel Rogério Seabra, afirmou que a Favela da Rocinha, em São Conrado (Zona Sul) receberá sua UPP em setembro. mas não precisou a data.

Os anúncios foram feitos durante a cerimônia de inauguração das UPPs da Vila Cruzeiro e do Parque Proletário, ambas no Complexo da Penha (Zona Norte). A primeira será responsável ainda pelo policiamento das localidades Cariri e Mira, enquanto a segunda atenderá as comunidades da Vila Proletária da Penha e Laudelino Freire. Ao todo, 530 policiais militares patrulharão as ruas, vielas e becos da região, onde vivem cerca de 37 mil pessoas.

"A inauguração destas duas UPPs é um marco para o Rio de Janeiro, a consolidação de um processo", definiu Seabra. "São a 7ª e 8ª UPP no cinturão de segurança do Alemão e da Penha. Ainda há muito o que fazer. Temos de construir algo melhor. As crianças conseguem dormir mais, o que reflete em melhor aproveitamento escolar. Mas ainda há muito o que trabalhar. Vamos ouvir as demandas dos moradores".

E demanda de morador tem de sobra no Complexo da Penha. Para Sandra Santos, 27 anos, todos eles vividos na Vila Cruzeiro, falta ao poder público maior presença no interior das favelas da região.

"Só policial militar nas principais ruas da comunidade não vai adiantar nada", anteviu a autônoma, moradora na Travessa Cerâmica. "Queremos que o Estado chegue a todos os pontos da Vila Cruzeiro, onde o esgoto corre a céu aberto, o lixo não é recolhido, as casas correm risco de cair. Se a desculpa era a presença do tráfico, ela já não vale, pois os traficantes saíram daqui em 2010. E até agora, nada", desabafa.

Mãe de cinco crianças, a dona de casa Nilcinéia Costa da Conceição questionou o cuidado dispensado à população da região.

"Só a presença de homens armados não quer dizer nada. Isso sempre existiu aqui. Eu quero saber quando chegarão a educação de qualidade e, principalmente, a saúde. Na UPA, Clínica da Família, Posto 11 ou no Hospital Getúlio Vargas, o que menos tem é médico", reclamou ela. "A última vez que fui à UPA fiquei de 18h da noite, até as 4h do dia seguinte. Tudo isso com meu filho com diarreia e vomitando".

O presidente da Associação de Moradores da Vila Cruzeiro, Antônio Tibúrcio, chamou a atenção do empresariado nacional para o local. Segundo o líder comunitário, milhares de jovens vivem no Complexo da Penha. Todos ansiosos por oportunidades.

"Faltam escolas técnicas, profissionalizantes. Sem emprego, a probabilidade de buscar o crime é muito maior. O jovem tem de ter opções", analisou Tibúrcio. "A sociedade civil, os empresários, têm de olhar para o Complexo da Penha como um mercado em potencial. Precisamos de geração de emprego", clama.

As novas 'UPPs e seus comandantes

A UPP Parque Proletário contará com o comando do capitão Filipe de Carvalho, 30 anos, e tem um efetivo de 220 policiais. Já a UPP Vila terá 300 militares, sob o comando do major Felipe Romeu, 36 anos. A unidade Parque Proletário atenderá também as subcomunidades Vila Proletária da Penha e Laudelino Freire. Já a UPP Vila Cruzeiro será responsável ainda pelo policiamento das localidades Cariri e Mira. 

Os 520 policiais das duas comunidades passarão a interagir no cotidiano de aproximadamente 37 mil moradores desses lugares, conforme levantamento feito pelo Instituto Pereira Passos com base no Censo 2010. 

O capitão Filipe Matos de Carvalho está na Polícia Militar há dez anos. Antes de ser escolhido para comandar a UPP Parque Proletário, o policial trabalhou no 27º BPM (Santa Cruz), 5º BPM (Praça da Harmonia) e 31º BPM (Recreio). Esteve por dois anos na Academia de Polícia Militar Dom João VI, em Sulacap, até assumir o comando da UPP Cidade de Deus (Caratê), o que deu vasta experiência no chamado policiamento de proximidade. O capitão Filipe de Carvalho possui curso de patrulhamento em área de alto risco, ministrado pelo Bope.

Já o major Felipe Romeu está na Polícia Militar há 14 anos. Iniciou sua trajetória como oficial no 12º BPM (Niterói), onde foi destacado para o comando do Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (GPAE) dos morros do Cavalão e do Estado, ambos em Niterói. A vasta experiência no policiamento comunitário o colocou a frente das UPPs da Cidade de Deus, onde esteve por três anos como coordenador das unidades (Quadras, Caratê e Apartamentos).

Governador anuncia novos trens

O governador Sérgio Cabral aproveitou a ocasião para anunciar a assinatura, no próximo dia 4 de setembro, de um empréstimo de 600 milhões de dólares para comprar pelo menos mais 60 novos trens para a SuperVia. E criticou o recente comportamento violento das torcidas de futebol nos estádio.

"Temos de agir com muita determinação para acabar com isso. É muito bonito poder ver famílias inteiras indo tranquilas a um jogo de futebol. Temos de agir energicamente. São delinquentes que prejudicam um espetáculo maior, com ilícitos e violência, que chegam até a morte.", disse o governador, destacando que a Secretaria de Segurança já está agindo no sentido de coibir esse tipo de violência.

Tags: de, janeiro, Rio, segurança, violência

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