Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Rio

Estudo mostra que UPPs salvam pelo menos seis vidas por ano

Unidades reduziram de 80 para 60 o número de mortes para cada grupo de 100 mil habitantes 

Jornal do Brasil

Cada Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio de Janeiro salva pelo menos seis vidas por ano. Essa é a principal conclusão do estudo realizado pelo sociólogo Ignacio Cano, da Uerj, e divulgado nesta quarta-feira (18), durante o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em Porto Alegre. A pesquisa tomou como base as 13 primeiras UPPs implantadas no Rio e constatou que, além da grande redução no número de mortes violentas nessas comunidades - a taxa caiu de 80 para cada 100 mil habitantes, por ano, para 60 para cada 100 mil habitantes, ao ano - as comunidades com UPPs praticamente não têm mortes causadas por policiais.

A pesquisa revela, ainda, que o efeito benéfico das UPPs se expande para além das unidades, chegando a um raio de pelo menos 1.500 metros ao redor delas, e que a redução de homicídios é constante em qualquer UPP, independentemente do número de policiais patrulhando cada unidade. Ou seja, mesmo que uma UPP tenha poucos policiais, seus efeitos benéficos são basicamente os mesmos, em relação à redução de homicídios. 

Para chegar a essas conclusões, Ignacio Cano e sua equipe, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj, ouviram policiais, moradores das unidades e analisaram registros e dados criminais oficiais.

"As UPPs são um grande avanço. A velha política do confronto armado era catastrófica. O que espero é que o espírito de UPP passe a permear o conjunto das medidas de segurança no Estado", diz Ignacio Cano, acrescentando que as unidades são uma solução apropriada para o quadro específico de segurança pública no Estado do Rio. Por outro lado, o estudo constatou que, nas comunidades onde há UPP, houve aumento no número de crimes não letais, como estupros, roubos, furtos, violência doméstica e lesões corporais. Isso ocorreu, diz Cano, especialmente porque as pessoas passaram a registrar os crimes nas delegacias.

"Antes das unidades, a maior parte desses crimes não era registrada, porque as pessoas tinham medo. Por outro lado, existia a 'lei' dos traficantes e milicianos, que eram os responsáveis pelas punições, então isso inibia as práticas de alguns delitos", explica Cano. 

Tags: estado, estudo, segurança, upp, violência

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