Estudo mostra que UPPs salvam pelo menos seis vidas por ano
Unidades reduziram de 80 para 60 o número de mortes para cada grupo de 100 mil habitantes
Cada Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio de Janeiro salva pelo menos seis vidas por ano. Essa é a principal conclusão do estudo realizado pelo sociólogo Ignacio Cano, da Uerj, e divulgado nesta quarta-feira (18), durante o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em Porto Alegre. A pesquisa tomou como base as 13 primeiras UPPs implantadas no Rio e constatou que, além da grande redução no número de mortes violentas nessas comunidades - a taxa caiu de 80 para cada 100 mil habitantes, por ano, para 60 para cada 100 mil habitantes, ao ano - as comunidades com UPPs praticamente não têm mortes causadas por policiais.
A pesquisa revela, ainda, que o efeito benéfico das UPPs se expande para além das unidades, chegando a um raio de pelo menos 1.500 metros ao redor delas, e que a redução de homicídios é constante em qualquer UPP, independentemente do número de policiais patrulhando cada unidade. Ou seja, mesmo que uma UPP tenha poucos policiais, seus efeitos benéficos são basicamente os mesmos, em relação à redução de homicídios.
Para chegar a essas conclusões, Ignacio Cano e sua equipe, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj, ouviram policiais, moradores das unidades e analisaram registros e dados criminais oficiais.
"As UPPs são um grande avanço. A velha política do confronto armado era catastrófica. O que espero é que o espírito de UPP passe a permear o conjunto das medidas de segurança no Estado", diz Ignacio Cano, acrescentando que as unidades são uma solução apropriada para o quadro específico de segurança pública no Estado do Rio. Por outro lado, o estudo constatou que, nas comunidades onde há UPP, houve aumento no número de crimes não letais, como estupros, roubos, furtos, violência doméstica e lesões corporais. Isso ocorreu, diz Cano, especialmente porque as pessoas passaram a registrar os crimes nas delegacias.
"Antes das unidades, a maior parte desses crimes não era registrada, porque as pessoas tinham medo. Por outro lado, existia a 'lei' dos traficantes e milicianos, que eram os responsáveis pelas punições, então isso inibia as práticas de alguns delitos", explica Cano.
