Jornal do Brasil

Quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

Rio

Queda de homicídios de crianças e jovens no RJ é questionável, diz pesquisador

Jornal do BrasilMaria Luisa de Melo

A queda de 33,3% nas taxas de homicídios de crianças e adolescentes registrados no estado do Rio de Janeiro nos últimos 30 anos, revelada pelo estudo “Mapa da Violência 2012 — Crianças e Adolescentes do Brasil”, do pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador de Estudos sobre a Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) no Brasil, é facilmente questionável. É o que acusa o pesquisador Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Isso porque haveria problemas na contabilização de homicídios no estado, o mesmo acontece na Bahia.

Das 27 unidades federativas do Brasil apenas seis delas apresentaram redução de assassinatos da população de 0 a 19 anos. Além do Rio de Janeiro estão no grupo São Paulo (-76,1%), Pernambuco(-13,3%), Roraima (55,9%), Mato Grosso do Sul (-7%), além do Distrito Federal (-4%). Considerando os homicídios do país inteiro, o estudo constatou um aumento de 346% no número de casos de assassinados nas três últimas décadas.

"No Rio de Janeiro, enquanto cai a taxa de homicídios, aumenta a taxa de mortes provocada por intenção desconhecida", apontou Cano. "O método empregado neste estudo gera discrepância".

O pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Michel Misse, também criticou as disparidades entre os números do DATASUS (órgão do Ministério da Saúde com a responsabilidade de processar informações sobre saúde) e da Polícia Civil do Rio de Janeiro:

"Os dados empregados nesta pesquisa referem às declarações de óbito do Data SUS, sem levar em conta os números de homicídios computados pelas polícias civis dos estados.  O latrocínio, por exemplo, que é a morte da vítima numa tentativa de assalto, é computado numa categoria diferente do homicídio. Isso gera confusão", apontou Misse. 

Para Cano, uma possível causa para a redução dos índices de criminalidade no Rio pode sera diminuição do fluxo de migração, especialmente de estados do Nordeste para o Rio. Ignácio lembra que em contrapartida, as taxas de homicídio subiram significativamente nas capitais nordestinas.

Os dados do estudo mostram que, no Rio de Janeiro, a cidade com maior índice de homicídios é Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, com 44,2 por 100 mil habitantes. O município ocupa a 25ª posição do país. No ranking das 100 mais violentas o estado do Rio é representando ainda pelas cidades de Cabo Frio, Itaboraí, Niterói, Macaé, Itaguaí e Resende.

Tags: Bahia, ignácio cano, jovens, mapa, Meninos, mortes, mulheres, Rio de Janeiro, universidade do estado do rio de janeiro, violência

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