Jornal do Brasil

Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

Rio

Policiais grevistas reclamam de falta de negociação 

Portal Terra

A direção do Sindicato dos Policiais Civis do Rio de Janeiro está reunida para avaliar o resultado do primeiro dia de greve das polícias e do Corpo de Bombeiros do Estado. O movimento apresentou pouca adesão, segundo o governador Sérgio Cabral, mas os grevistas evitam falar em um fim da paralisação. Os grevistas organizam uma grande manifestação para este domingo, em frente ao Copacabana Palace, para tentar recuperar o ânimo perdido após a assembleia que varou a madrugada da última sexta-feira e decidiu pela greve em tom ameaçador - o que não se confirmou.

A principal reivindicação dos grevistas no momento é abertura de um canal de diálogo para tratar de suas propostas, que incluem a fixação de um piso salarial nacional para os policiais e bombeiros em R$ 3,5 mil. "Eles (o comando) estão prendendo todo mundo, mas não querem conversar", afirma um policial grevista que não quis se identificar. "Reconhecemos o esforço para aprovar um reajuste, mas não queremos apenas isso."

Os grevistas organizam uma grande manifestação para este domingo
Os grevistas organizam uma grande manifestação para este domingo

Os grevistas salientam que não há chance da paralisação terminar durante o final de semana, mas gostariam que uma negociação fosse aberta para resolver a questão antes do início do carnaval - na próxima sexta-feira.

A manifestação do domingo busca forçar a libertação do cabo bombeiro Benevenuto Daciolo, que foi preso logo após o anúncio da paralisação, quando retornava de Salvador, onde os policiais já estão parados há mais de uma semana. Daciolo foi levado para a penitenciária de Bangu I depois que algumas de suas ligações telefônicas - entre elas conversas com a deputada estadual Janira Rocha (PSol) e o ex-governador e deputado federal Anthony Garotinho (PR) - foram interceptadas e o comando dos bombeiros interpretou parte das conversas como incitamento a motim.

A greve no Rio

 Policiais civis, militares e bombeiros do Rio de Janeiro confirmaram, no dia 9 de fevereiro, que entrariam em greve. A opção pela paralisação foi ratificada em assembleia na Cinelândia, no Centro, que reuniu pelo menos 2 mil pessoas.

A orientação do movimento é que apenas 30% dos policiais civis fiquem nas ruas durante a greve. Os militares foram orientados a permanecerem junto a suas famílias nos quartéis e não sair para nenhuma ocorrência, o que deve ficar a cargo do Exército e da Força Nacional, que já haviam definido preventivamente a cessão de 14,3 mil homens para atuarem no Rio em caso de greve.

Os bombeiros prometem uma espécie de operação padrão. Garantem que vão atender serviços essenciais à população, especialmente resgates que envolvam vidas em risco, além de incêndios e recolhimento de corpos. Os salva-vidas que trabalham nas praias devem trabalhar sem a farda, segundo o movimento grevista.

Policiais e bombeiros exigem piso salarial de R$ 3,5 mil. Atualmente, o salário base fica em torno de R$ 1,1 mil, fora as gratificações. O movimento grevista quer também a libertação do cabo bombeiro Benevenuto Daciolo, detido administrativamente na noite de quarta-feira e com prisão preventiva decretada, acusado de incitar atos violentos durante a greve de policiais na Bahia.

Tags: Bahia, CONGRESSO, greve, pec 300, polícia, Rio de Janeiro

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