Uma decisão dos policiais civis enfraqueceu, neste sábado, o movimento grevista que envolve ainda PMs e bombeiros no Rio. O inspetor e diretor do Sindpol, Francisco Chao, um dos líderes da corporação, informou que a categoria não faz mais parte da greve. Uma decisão definitiva, no entanto, será tomada em assembleia marcada para quarta-feira. A afirmação foi dada durante uma coletiva de imprensa na tarde deste sábado, que reuniu também representantes das outras forças.
"O momento é critico, não estamos diante de uma greve, e sim de uma crise. Eu falo pela Civil, não pelos bombeiros ou PM", disse Chao. "É muito difícil falar em movimento revindicatório sem adesão. Segurança para a sociedade está em primeiro lugar. Por cautela e respeito, a melhor decisão é suspender. Quem encerra movimento grevista é a categoria. É em homenagem a minha categoria que nós estamos suspendendo momentaneamente a greve da Civil"
Chao ressaltou que os policiais civis não estão cancelando a greve, mas suspendendo a participação da categoria:
"Vamos fazer uma assembléia na quarta-feira e deliberar sobre o movimento. Sempre ficou estabelecido que a sociedade nao ficaria desguarnecida. Não estamos cancelando a greve, mas vamos consultar nossa categoria na assembleia".
Em nome dos bombeiros, quem falou foi Cristiane Daciolo, mulher do cabo Benevenuto Daciolo, que está preso em Bangu I por causa de sua participação como lídeer da greve.
"Em momento nenhum a orla foi desguarnecida. Os bombeiros trabalharam sem uniforme. Foi um ato de protesto. Não posso terminar uma greve em nome dos bombeiros, por que foi decido em uma assembléia", afirmou Cristiane.
A porta-voz da categoria, no entanto, deixou "no ar" a possibilidade de os bombeiros também desistirem da greve, o que deverá ser decidido durante uma assembleia marcada para este domingo:
"Hoje eu não defino como está o movimento. Eu vou deixar no ar, por conta de um ato que faremos amanhã (domingo) em Copacabana. Lá, decidiremos se a greve dos bombeiros vai continuar ou não", disse Cristiane. "Nunca foi de interesse dos bombeiros a greve. Estamos há nove meses tentando diálogo com o governo. Eu estou aberta, e disponível, pois os líderes foram presos. Na terça, vou recorrer à esfera federal. Se me contactarem até segunda à noite, nós queremos voltar à normalidade, queremos justiça. Na assembleia de amanhã vamos decidir sobre a greve".
Os policiais militares também devem se reunir neste domingo para definir se continuam ou não em greve.
Presos
Em nota oficial divulgada na tarde deste sábado, o governo do estado informava que haviam sido cumpridos oito dos 11 mandados de prisão emitidos para bombeiros representantes do movimento de greve.
Os envolvidos seriam levados para o presídio de Bangu 1, onde já se encontra o Cabo BM Benevenuto Daciolo. Pela manhã, 39 guarda-vidas foram detidos por falta ao serviço no Grupamento Marítimo (GMar) da Barra da Tijuca. Na sexta-feira (10.02), 123 guarda-vidas foram indiciados por falta ao serviço e presos administrativamente.
Até o início da noite, 12 bombeiros estavam presos em Bangu 1, e 162 guarda-vidas em quartéis, cumprindo medida disciplinar.
A nota enfatiza, ainda, que todas as 110 unidades operacionais do Corpo de Bombeiros seguem com "funcionamento normalizado", inclusive os postos de salvamento na orla da Barra da Tijuca, onde foram acionadas equipes de reserva.