Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

Rio

PMs denunciam péssimas condições de trabalho em UPPs e garantem greve

Paralisação inclui policiais civis e bombeiros. Corporação não trabalha com hipótese de greve

Jornal do BrasilJorge Lourenço

Enquanto aguarda um posicionamento do governo e da corporação sobre o movimento grevista, integrantes da Polícia Militar do Rio de Janeiro dão claros indícios de que a greve no começo de fevereiro é inevitável. Ao Jornal do Brasil, um grupo de policiais militares lotados em Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) denunciou uma série de irregularidades que afligem o carro-chefe da política fluminense no quesito segurança pública (confira vídeo abaixo).

Baixos salários, escalas de trabalho que superam 70 horas semanais, agentes de outros municípios forçados a viver nas UPPs em função do sistema deficitário de vale-transporte oferecido pelo governo do estado,  gratificações incompatíveis com determinadas funções, problemas no "bico legalizado" do Proes. Estas são apenas algumas das razões pelas quais, segundo os integrantes do movimento grevista, foi escolhido o dia 8 de fevereiro como data limite para receber algum posicionamento das autoridades.

Do contrário, o Rio de Janeiro corre o risco de ficar sem o policiamento rotineiro a partir do dia 10 de fevereiro. A Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros também dão sinais de que podem aderir ao movimento, o que instalaria o verdadeiro caos no estado. 

"O perfil dos nossos governantes é o daquela pessoa que paga para ver. Eles vão esperar o problema estourar para depois vir tentar remediar. Desde a nossa reunião com o comandante-geral Erir Ribeiro (no dia 12 de janeiro), não tivemos posicionamento algum das autoridades", revela o cabo João Carlos Soares Gurgel, um dos líderes do movimento grevista. "O escudo deles é o nosso regulamento covarde e inconstitucional, que pode mandar nos prender em caso de rebeldia. Hoje, vivemos em condições análogas à escravidão". 

Caso a greve se confirme, a tendência é que o Batalhão de Choque e o Batalhão de Operações Especiais (Bope) sejam acionados emergencialmente, já que a greve não é unânime entre eles. Isso acontece porque os dois são os batalhões que recebem as melhores gratificações da corporação. 

"Como o Bope tem uma boa visão na sociedade, a ideia de governo é colocá-los para reprimir qualquer movimentação, como fizeram com os bombeiros. Também temos o apoio de alguns membros do Bope. Na passeata de domingo, onde reunimos 25 mil pessoas, eles também compareceram", aponta o cabo Gurgel. "Eles sabem que recebem uma boa gratificação mas, se forem baleados numa operação e colocados fora de combate, voltam a ganhar o mesmo que qualquer policial militar. A nossa luta é pela incorporação dessas gratificações. 

Denúncias

Ao JB, os policiais militares lotados em UPPs garantem que o movimento ganhou força nas comunidades pacificadas. A ideia deles é se aquartelar e cessar as atividades até que o governo responda às reivindicações. 

"A situação nas comunidades com UPPs realmente vai ficar complicada. Elas ficarão fragilizadas", disse um dos policiais, que também denunciou uma suposta venda irregular de folgas entre os agentes. "Como os policiais que moram no interior não conseguem voltar para casa, já que recebem um vale-transporte de apenas R$ 90, eles acabam vendendo folgas para outros companheiros". 

Procurada pela reportagem, a Polícia Militar informou que "o comando-geral da não considera a possibilidade de paralisação de atividades - que é, cabe ressaltar, vedada pela Constituição Federal a militares, tanto federais, quanto estaduais". A corporação também informou que mantém diálogo com os representantes do movimento de greve. 

Sobre as denúncias de policiais forçados a viver nas UPPs, o comando-geral apontou que a solução do problema tem sido a transferência gradativa dos agentes para os seus municípios de origem, e que apenas 129 dos 3.932 policiais lotados em comunidades pacificadas estão nesta situação. A assessoria de imprensa também negou ordem de prontidão na véspera da data programada para a greve.

A Polícia Militar não comentou a possibilidade de usar o Bope para intervir nas comunidades pacificadas caso a greve aconteça. 

Tags: aumentos, bombeiros, cabo gurgel, comunidades, greve, movimento grevista, Polícia Cívil, Polícia Militar, polícia pacificadora, policiais militares, Rio de Janeiro, Salário, UPPs

Comentários

9 comentários
  • GISELLE ALUYZA, Rio de Janeiro
    GISELLE ALUYZA, Rio de Janeiro

    Parabéns JB. Os policiais civis, militares e os bombeiros merecem esse apoio. Quero ter acesso as informações dos fatos que verdadeiramente estão ocorrendo e não do que querem impor. ABAIXO AS MÍDIAS TENDENCIOSAS."JB, O JORNAL MAIS DEMOCRÁTICO DO PAÍS". Esse título é de vocês.

  • J. Gomes Jr., S. Benedito/Ce.
    J. Gomes Jr., S. Benedito/Ce.

    O governador está preocupado com a própria segurança. Este governantes são uns verdadeiros ditadores, pouco se importam com as consequências que possam acontecer. Não é a toa que o presidente da FIFA vive criticando o Brasi. Se o governador não possui equilíbrio para resolver um problema grave que poderá ocorrer, que seja afastado da função. O governador é um servidor como qulquer outro. Apenas goza de algumas prerrogativas. Acontece que quando são eleitos tem uma visão que o estado passa a ser uma propriedade particular deles.

  • J. Gomes Jr., S. Benedito/Ce.
    J. Gomes Jr., S. Benedito/Ce.

    O Governador Sérgio Cabral escala os deputados estaduais para substituir os policiais em caso de greve. Afinal estes deputados não servem para nada mesmo.

  • Ezequiel, Rio de Janeiro
    Ezequiel, Rio de Janeiro

    Gostaria de entender, como o Governador do Estado do Rio de Janeiro, apóia um segundo emprego no Município fardado ganhando R$ 150,00 (praças PM) e R$ 180,00 (Oficiais PM) diária; Se os Soldados PM, ganham menos de R$ 40,00 a diária, dentro da PMERJ. Vejam bem, isto, dá um ganho total de R$ 1200 dentro dá PMERJ e R$ 4.500, dentro do Município, como pode ? Esta tudo errado senhor desgovernador !!!

    JUNTOS SOMOS FORTE E IMBATÍVEIS !!!

    DIGNIDADE PARA A SEGURANÇA PÚBLICA JÁ !!!!

  • Luiz A C Lopes, Rio de Janeiro
    Luiz A C Lopes, Rio de Janeiro

    Por onde anda o Governador? Acaso estaria viajando de novo ao exterior? É pelas suas constantes ausências que nunca haverá a possibilidade de diálogo com os manifestantes! Depois, como fizera com os Bombeiros, num rompante de autoristarismo, acabará chamando aos Policiais Civis e Militares de baderneiros! No entanto, ele já é conhecido como o pior governador de toda a história desse estado! O pior é que ainda faltam dois anos e onze meses!!

  • ZENOBIO, rio de janeiro
    ZENOBIO, rio de janeiro

    As areas de seguranca,saude e educacao nunca mereceram por parte dos governantes a menor consideracao.cabe a nos populacao nos mobilizarmos juntos com estas categorias e presionarmos o governo para que atendam as suas reivindicacoes pois dinheiro ha e so observarmos o quanto de dinheiro que vai pelo ralo com licitacoes e contrtratos super faturados e n o inriquecimento dos governantes.

  • Pedro Castelo, Rio de janeiro
    Pedro Castelo, Rio de janeiro

    Tem também o problema da alimentação, que falta as vezes para esses policiais.
    É sempre assim, o político inventa uma coisa boa, depois da reeleição, abandona, e vive de maquiagem. Eu nunca mais voto desse tal de Sérgio Cabral.

  • Aline, Vassouras - RJ
    Aline, Vassouras - RJ

    Parabens ao JB! Por não estar vendido...
    Parabens à PM e Bombeiros, a população se orgulha dos nossos heróis!

  • RICARDO, niteroi
    RICARDO, niteroi

    Lá na anarquia da av. atlântica provocada por v@ndalos, poliças e bombas, surge o deputado Marcelo Freixo, defensor de bandidos e SEMPRE contrário à Polícia. Isso é a prova que o movimento é eminentemente político. São viuvinh@s do G@rotinho que querem tomar o poder a qualquer custo. CABRAL, não esmoreça, jogue duro contra esses lenientes. CABRAL, A RAZÃO ESTÁ COM VOCÊ, SEMPRE.

Postar um comentário