Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

Rio

PMs de UPPs gastam 50% do salário para chegar ao trabalho

Secretaria de Segurança diz que solução para o problema só vem em seis meses

Jornal do Brasil Maria Luisa de Melo marialuisa.melo@jb.com.br

Indignados com o fato de terem prestado concurso público em 2008 para servir em batalhões da Polícia Militar no interior do estado e serem obrigados a trabalhar nas Unidades de Polícia Pacificadora da capital, cerca de 600 PMs só vão poder trabalhar nos locais próximos de suas residências daqui a seis meses.

Sentindo-se lesados pelo governo, alguns recorreram à Justiça, ainda no ano passado, para ter seu direito assegurado e tiveram êxito em ações movidas contra o Estado. Outros PMs, temendo punições, preferiram aguardar que a Secretaria de Segurança cumprisse as regras previstas no edital do concurso de 2008. O documento previa que os PMs escolhessem três batalhões onde quisessem trabalhar. Com o edital burlado, pelo menos 40 ações ainda tramitam na Justiça. 

Morador de Paraíba do Sul, um soldado da UPP do Salgueiro, na Tijuca (Zona Norte do Rio) calcula o valor gasto por mês para chegar ao local de trabalho e voltar para casa.

"Todo mês eu desembolso pelo menos R$ 490 para conseguir chegar ao trabalho. E o salário de um policial de UPP é R$ 1.050. É metade do meu salário. Não entrei na Justiça contra o Estado, mas me sinto lesado pelo governo. Quando estou sem dinheiro para pagar a passagem, visto a farda e pego carona. O problema é que vir trabalhar de farda é bem arriscado", conta o militar, que preferiu não se identificar. 

Policiais militares reclamam de não receberem auxílio transporte

Representante de um grupo de mais de 20 PMs que escolheram enfrentar o Estado na busca por seus direitos, o advogado Marcelo Queiroz conta que o cumprimento das informações do edital do concurso é questão de tempo.

"Esta é uma causa perdida pelo Estado. Alguns PMs já conseguiram o direito de trabalhar no batalhão que escolheram quando prestaram concurso. O que falta, agora, é o estado cumprir as decisões judiciais", explica. "Não se pode prever em edital que um PM escolha,e m ordem de preferência, os três batalhões que ele gostaria de servir e depois, simplesmente, colocá-lo para trabalhar em qualquer lugar. O edital deve ser cumprido sempre", frisou.

O problema deve ser resolvido em seis meses, diz Secretaria

Procurada pelo Jornal do Brasil, a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro informou que em seis meses os 600 PMs do interior do Estado vão voltar, aos poucos, para os batalhões próximos às suas residências. Em cada mês, um grupo de 100 PMs deixará as Unidades de Polícia Pacificadora rumo aos batalhões interioranos.

A decisão, ainda de acordo com a Secretaria, já  foi publicada no Boletim Interno da corporação. "Para podermos permitir que um policial deixe a UPP e trabalhe em seu batalhão de origem, precisamos ter novos policiais formados para substituí-los", apontou uma porta-voz da Secretaria.

Segundo informações da PM, uma nova turma de 400 homens está se formando no mês de agosto. Até o fim do ano, cerca de mil policiais militares devem estar formados. 

Vale-transporte não é para todos, diz PM

Segundo nota divulgada pela Polícia Militar, a corporação não oferece auxílio-transporte. Entretanto, o Governo do Estado oferece o cartão Rio Card para alguns policiais que moram longe do seu local de trabalho e tem gastos altos com transporte. A concessão é dada em alguns batalhões, dentro de um projeto que está sendo ampliado.

Ao todo, segundo a PM, um terço do efetivo - cerca de 17 mil policiais - já estão recebendo o benefício.



Tags: pms, polícia militar, salgueiro, secretaria de segurança, turano, upps

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