Jornal do Brasil

Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012

Rio

Comlurb retira por mês 40 toneladas de detritos e objetos da Lagoa

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Caio de Menezes , Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Arma enferrujada, parachoque de carro, roda de bicicleta, sofá e até lixo hospitalar, além de muita rúpia marítima planta sub-aquática comum na Lagoa Rodrigo de Freitas são alguns dos itens encontrados pela Operação Náutica da Comlurb, responsável por manter limpa a Lagoa Rodrigo de Freitas desde 1997. Trabalhando de segunda a sábado, nove homens, utilizando uma flotilha de três embarcações, em turnos que começam às 7h e terminam às 15h20, retiram, em média, 40 toneladas de lixo por mês.

Em épocas de chuva forte ou de mortandade de peixes, o trabalho aumenta muito. De acordo com o responsável pela Operação Náutica, Jorge Fernandes, a quantidade de lixo chega a impressionar .

Nas chuvas do início de abril, retiramos 60 toneladas de detritos só de dentro da Lagoa. Com a mortandade de peixe pode passar de 200, mas na última, em fevereiro, a maior dos cinco últimos anos, foram 86,8 toneladas conta.

O maior curso d'água que desemboca na Lagoa é também o seu maior poluidor. Segundo o encarregado da operação, Evandro de Almeida, o entorno do Clube Piraquê é onde é encontrada a maior quantidade de corpos estranhos e diferentes .

Ali, desemboca o Rio dos Macacos, que traz de tudo: muita roupa, tênis e até seringa de injeção, o que é preocupante. Até cachorro morto já recolhi ali. Graças a Deus, nenhum cadáver ressalta.

Mudança de ambiente

Há pouco mais de dois anos trabalhando na Comlurb, sempre na chamada operação náutica, o gari Avalon Espírito Santo César, de 27 anos, afirma ter adorado a rotina na Lagoa.

Trabalhava em uma fábrica de bebedouros, dentro de um galpão. Cheguei aqui, ao ar livre, sol e brisa fresquinha, foi muito bom, uma tranquilidade só, apesar do trabalho duro. O único problema foi que, no início, eu ameaçava enjoar, ficava com o estômago embrulhado com o balanço da água. Depois de vencida essa etapa, virou diversão.

Para Willian Mendonça de Mello, de 27 anos, há quatro meses na Lagoa, trabalhar ali é realmente um privilégio.

Não há carros, logo não temos como ser atropelados. A única coisa que passa por aqui são as tainhas pulando. Sem falar que vemos a cidade de ângulos diferentes, a que poucas pessoas têm acesso lembra ele, que garante não haver visual mais bonito que o do Cristo Redentor visto do meio do espelho d'água, nas proximidades da base da Divisão de Operação Náutica, no Estádio de Remo da Lagoa.

De acordo com Moacir Ricardo da Silva, de 42 anos, comandante de um dos barcos, já não é possível contar as vezes em que um de seus sete filhos pediu para passar um dia no trabalho com o pai.

Eles veem essa paisagem, essa beleza toda e querem vir comigo. Pena eu não poder trazê-los, mas sempre dou uma compensada levando-os aos pedalinhos relata.

Barco ganhou o apelido de barbeiro

Considerado o equipamento principal e mais eficiente na tarefa de manter limpa a Lagoa Rodrigo de Freitas, além de responsável por controlar o crescimento da rúpia marítima, vegetação predominante naquelas águas, a embarcação Golfinho C II, importada dos Estados Unidos em 1996, recebe atenção especial dos nove componentes da Operação Náutica. O Plant Harvest que além de podar a Rúpia, recolhe detritos do espelho d'àgua, tem até um apelido.

A rúpia marítima cresce do fundo da Lagoa, como o cabelo de uma pessoa. Quando atinge a superfície, o vegetal torna-se um problema para a circulação de embarcações. Quem mais sofre são os remadores, pois a pá do remo enrosca na planta, impedindo a remada. Um conjunto de lâminas posicionado na proa da embarcação, seifa a planta, como uma máquina de barbearia. Por isso, o chamamos de barbeiro diverte-se Jorge Fernandes, gerente de departamento da Comlurb e responsável Operação Náutica. Sua grande vantagem é recolher o lixo da superfície, em grande quantidade e velocidade.

Encarregado da equipe, Evandro de Almeida, de 54 anos, revela laços afetivos com a embarcação. De acordo com ele, um dos primeiros a comandar o barbeiro , a relação vai além do profissional.

Ele começou a operar na Lagoa da Barra da Tijuca, em 25 de outubro de 1996, dia em que fiz 41 anos. Só daí já temos um vínculo forte, é meu predileto. Desde lá, ao longo desses mais de 13 anos de contato, já tirei muita coisa de onde ele não podia estar. Certamente, é um bem que faço à natureza, o que me deixa muito feliz. Tenho um caso de amor com o barbeiro confessa Evandro, emocionado.