Rio: júri absolve acusada de mandar matar 2 jovens por ciúme
Portal Terra
RIO - O 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro absolveu nesta sexta-feira uma mulher acusada das mortes e ocultação dos cadáveres das jovens Taís Louise Damasceno da Silva e Maria Carolina Saldanha Machado Lopes.
Os jurados acolheram os argumentos do promotor de Justiça Salvador Bemerguy, que pediu a absolvição da ré. O julgamento durou pouco mais de duas horas e foi presidido pelo juiz Fábio Uchôa Pinto de Miranda Montenegro.
Segundo o promotor, não há nos autos prova da materialidade dos crimes, uma vez que os corpos nunca foram localizados, além do fato de não ter havido no processo depoimento de testemunha que tenha presenciado o assassinato.
"Para comprovar a materialidade deve existir prova pericial, exame cadavérico para identificar as lesões e a causa da morte. Não há testemunha que tenha presenciado os fatos neste processo", afirmou o promotor. "Não tem prova da materialidade. Os cadáveres nunca foram encontrados, nunca houve uma testemunha que tenha vindo ao juízo dizer que viu o crime."
Segundo denúncia do MP, as jovens teriam sido assassinadas a mando da acusada no dia 2 de julho de 2006, na quadra de esportes do morro do Barbante, na Ilha do Governador.
O motivo do crime teria sido ciúmes e vingança, uma vez que Taís Louise estaria em um relacionamento amoroso com André Negão, namorado da acusada e líder do tráfico de drogas na localidade.
Outro argumento apresentado pelo MP para pedir a absolvição da ré foi o fato de Josiane Cristina de Oliveira Damasceno, testemunha do processo e mãe de Thaís Louise, ter ido à Delegacia de Polícia apenas um mês depois do crime para comunicar o desaparecimento da vítima, tendo recebido, no dia anterior ao assassinato de sua filha, três telefonemas da jovem, informando da morte de André Negão, ocorrida numa operação policial.
A operação policial que resultou na morte de André Negão foi realizada a partir de uma ligação anônima para o Disque Denúncia. De acordo com o processo, a mãe também não contou à autoridade policial que havia recebido um telefonema de uma prima de Maria Carolina avisando-a de que as jovens haviam sido executadas e carbonizadas no alto da favela.
"Como uma mãe vai à delegacia um mês após, tendo mantido contato com sua filha por telefone, relatando a execução de André e ela não diz isso ao delegado?", afirmou o promotor para os jurados. Josiane Cristina retornou à DP em duas outras ocasiões, em outubro e dezembro de 2006.
Ainda de acordo com ele, os familiares de Maria Carolina nada apresentaram no processo. Eles apenas disseram que a jovem era independente, só fazia o que queria, não prestava conta à família do que fazia, saía e não dizia para onde ia.
"Isso infelizmente está acontecendo com a nossa sociedade. Meninas de boa família que se envolvem com bandidos", disse o promotor. "Vão a bailes funks, mantêm relações sexuais, jovens de 17 e 18 anos. As famílias, às vezes, não tem o que fazer."
