O pesqueiro da polêmica na Ilha
Flávio Dilascio, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Bairro bucólico de predominância residencial, a Ribeira é considerada por seus moradores como a parte mais tranquila da Ilha do Governador. Localizada na ponta sudeste da ilha, a área vem sendo alvo de grande polêmica nos últimos tempos, desde quando o governo federal divulgou sua intenção de construir ali um terminal pesqueiro antiga reivindicação do setor em uma das praias do bairro, mais precisamente na região conhecida como Cabaceiro. Os habitantes alegam que o local não tem estrutura para receber um fluxo diário de 10 mil trabalhadores, provocando complicações no trânsito, degradação ambiental e o principal: o fim da tranquilidade do bairro, que desvalorizaria os imóveis.
O protesto também é compartilhada pela Superintendência da Infraero no Aeroporto Internacional Tom Jobim, bem como pelo Comitê Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que enviou parecer ao Ministério Público Federal, baseado numa resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), que proíbe a manipulação de peixes atrativos de pássaros em um raio de até 20 quilômetros de um aeroporto.
A posição da Infraero é que se tenha atenção quanto à instalação deste terminal pelo risco que ele oferece ao aeroporto, por ser um atrativo de aves afirmou o coordenador de meio ambiente da regional Rio da Infraero, Fued Abrão. Houve duas consultas públicas sobre a construção do terminal e, em ambas, a Infraero se posicionou contra, baseada na resolução do Conama. Acho que as autoridades aeronáuticas devem se aprofundar no assunto.
O governo federal, representado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura, no entanto, rebate os questionamentos da Infraero e da população da Ribeira, alegando que ela própria será a maior beneficiada. As obras estão previstas para se iniciarem até junho. Alguns imóveis comerciais segundo o governo, em situação irregular devem se desapropriados.
A questão da resolução do Conama é algo muito controvertido. Se todas suas resoluções fossem respeitadas, não poderia haver uma ponte em Niterói disse o superintendente federal do Ministério da Pesca e Aquicultura para o Rio, Jayme Tavares. Os moradores precisam entender que este terminal pesqueiro trará progresso e revitalização para o bairro, além de empregar cerca de duas mil pessoas. Este pesqueiro será moderno e inodoro e não trará transtornos aos moradores concluiu Jayme, que diz ainda que os moradores estão sendo insuflados pelas 16 pequenas empresas, como estabelecimentos comerciais, que serão desapropriadas.
Os vizinhos do futuro terminal, no entanto, não acreditam nos argumentos do Ministério da Pesca e Aquicultura e vêm se mobilizando através de um grupo chamado SOS Ribeira, que instalou inquérito sobre o caso no Ministério Público do Rio de Janeiro. No último sábado, o grupo fez um ato no bairro da Portuguesa, com a distribuição de cerca de 4 mil panfletos.
Vale ressaltar que não somos contra o terminal pesqueiro, somos contra a construção dele na Ilha, que não tem estrutura para recebê-lo disse Eisaburo Mori, de 63 anos, um dos membros do SOS Ribeira.
Achamos também que não haverá a tão falada oferta de empregos, pois as empresas de pescado vão transferir todos os seus funcionários para cá reforçou o professor Aluisio Lemos, de 65 anos, 24 deles na Ribeira.
O comerciante Fernando Bastos, de 44, também vê a chegada do terminal com maus olhos.
Este terminal atrairá prostitutas, camelôs e muitos caminhões. Vai acabar a nossa paz.
Contudo, há quem discorde da maioria dos moradores.
Vai ser ótimo para a Ribeira, pois vai aumentar o movimento do bairro e teremos mais segurança comentou Oton Dellatorre, dono de uma loja de serviços de tornearia mecânica próxima ao futuro terminal.
