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Crea condena posição de freio de bonde

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Flávio Dilascio, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - O acidente entre o bonde de Santa Teresa e um táxi, o qual vitimou a professora Andréia de Jesus Rezende, de 29 anos, e deixou dez pessoas feridas em 16 de agosto do ano passado, ainda rende muita polêmica. O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-RJ) divulgou nesta segunda-feira um relatório que condena a localização dos freios dos veículos, considerada pelo presidente Agostinho Guerreiro como de risco . A Secretaria Estadual de Transportes, responsável pelo serviço dos bondes, por sua vez, considera o relatório do Crea improcedente , exaltando que os serviços prestados pelos bondes não oferecem qualquer tipo de risco.

No acidente do ano passado, o bonde desceu desenfreadamente sobre os trilhos depois de bater em um táxi, na Rua Pascoal Carlos Magno, que é uma ladeira. Segundo a avaliação do Crea-RJ, o deslize ocorreu pois a caixa de freios foi atingida.

Investigamos especificamente aquele episódio, ouvindo diversas pessoas, dentre gente que assistiu ao acidente, técnicos envolvidos com a empresa dos bondinhos, a TTrans, e pessoas responsáveis pela manutenção dos freios. Detectamos que o problema todo está na localização do sistema de freio, que fica na quina dianteira do veículo, um local bem suscetível a colisões explicou o presidente do Crea-RJ, Agostinho Guerreiro. No acidente de agosto do ano passado, o táxi bateu exatamente neste local e quebrou todo o sistema de freio, fazendo com que o bonde descesse desgovernado até bater em um ônibus.

Agostinho explicou ainda que o bonde possui mais dois freios automáticos de segurança, que não funcionaram no dia do acidente, pois o freio principal foi completamente destruído.

Este sistema de freios de segurança funciona quando é detectada uma diminuição na pressão das válvulas. Quando o freio é totalmente destruído, isto é impossível de ser detectado disse o presidente.

Segundo o Crea-RJ, depois de enviar este parecer ao Governo do Estado, no fim do ano passado, foram instaladas algumas barras de proteção semelhantes a um parachoque de carros na frente dos veículos. A justificativa para a não transferência do sistema de freios para outro lugar seria o tombamento dos bondes.

É uma coisa no mínimo estranha, pois, se estão instalando estas barras, estão mexendo nos bondes comentou o vice-presidente do Crea-RJ, Luiz Antonio Cosenza, que participou do relatório.

Existem atualmente 14 bondes, sendo que sete funcionam com sistema de freios na quina frontal.

Secretaria rebate

A Secretaria Estadual de Transportes não concordou com o relatório do Crea-RJ e informou que o sistema de frenagem utilizado nos bondes é o mesmo aplicado nas ferrovias de todo o mundo, cuja engrenagem sofre comando eletroeletrônico de freio a disco, o que garante travamento automático em situações consideradas emergenciais .

A pasta informou ainda que a investigação policial sobre o acidente do bonde com o táxi apontou que o sistema de frenagem funcionou devidamente durante a colisão e que o secretário estadual de transportes, Júlio Lopes esteve no Crea-RJ em agosto do ano passado, quando apresentou relatório sobre a reforma dos bondes e teve o quesito segurança aprovado.