Implosão põe fim ao mais antigo presídio brasileiro
Da redação, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Erguido em 1850, ainda no período do império, o Complexo Penitenciário Frei Caneca, no Estácio, foi implodido no início da tarde de ontem. A implosão que contou com a presença do governador do Rio Sérgio Cabral, que foi quem acionou o botão detonador das dinamites durou cerca de 13 segundos e contou com 500 kg de explosivos.
O presídio foi destruído para dar lugar a um conjunto habitacional do programa do Governo Federal "Minha Casa Minha Vida". Serão construídos 2.500 apartamentos a partir do segundo semestre para famílias quem moram em áreas de risco no Morro São Carlos, vizinho ao presídio.
O Frei Caneca contava com oito prédios e abrigava 70 presos, que foram transferidos para a penitenciária Bangu I, na sexta-feira. O complexo estava praticamente desativado desde 2006. Em 2003, duas partes do Frei Caneca já haviam sido destruídas: a escola de gestão penitenciária e o presídio feminino Nelson Hungria, transferido para Bangu.
Primeiro presídio do Brasil, o Frei Caneca foi erguido em 1850, com o nome de Casa de Correção da Corte. O local chegou a abrigar presos políticos famosos como o escritor Graciliano Ramos. Na crônica policial carioca, foi cenário de rebeliões violentas e fugas espetaculares.
Implosão não destruiu tudo
Apesar da implosão, um prédio e algumas hastes ainda permaneceram em pé. Segundo os técnicos envolvidos, a implosão não obteve o resultado esperado, mas não foi mal sucedida. O secretário estadual de Habitação, Leonardo Picciani considerou o resultado um "sucesso".
Estamos dando um prazo de 90 dias para processar e reaproveitar o material da demolição disse Picciani.
Por causa das detonações, a Rua Frei Caneca ficou fechada para o trânsito até o meio da tarde. A implosão estava marcada inicialmente para às 11h, mas, atendendo ao pedido de um casal de noivos, que marcara o casamento numa igreja batista do Centro, o horário foi transferido para as 12h15.
