Cabral lança movimento de defesa ao estado e diz 'não' a Ibsen
Carlos Braga , Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - O governador do Rio Sergio Cabral, em entrevista coletiva realizada sábado de manhã no Palácio das Laranjeiras, deu início a um movimento Contra a covardia, em defesa do Rio para tentar conseguir um veto ou alterar a emenda que redistribui os royalties de petróleo. Acompanhado do prefeito do Rio, Eduardo Paes, e da prefeita de Campos dos Goytacazes, Rosinha Matheus, entre outras lideranças políticas, Cabral reafirmou que o Rio está sendo vítima de um linchamento com a previsão de deixar de arrecadar cerca de R$ 5 bilhões.
O Rio não aceita essa violência contra o seu povo disse Cabral. Esse estado foi o estado que liderou a campanha O Petróleo é nosso e a campanha da redemocratização, foi o mais inquieto contra a ditadura militar. Esse estado não fica cabisbaixo e não vai aceitar essa covardia. Somos 16 milhões de habitantes, recebemos cerca de 8 milhões de visitantes por ano, um estado que recebe o Brasil inteiro de braços abertos. Vamos mostrar ao Brasil, o valor do povo, o valor da nossa indignação e do nosso compromisso da mobilização dos fluminenses.
O governador calcula que o estado, se o projeto se tornar lei, terá perdas de R$ 5 bilhões. O projeto precisa ainda passar por votação no Senado e ser aprovado pelo presidente Lula. Cabral acredita que o presidente vetará o projeto. Ainda, porém, que a emenda seja aprovada, o estado irá entrar com recurso no Supremo Tribunal Federal. De acordo com o governador, 80% do pagamento de aposentados e pensionistas do estado vêm dos royalties do petróleo.
Essa emenda inviabiliza Olimpíadas e inviabiliza Copa do Mundo disse Cabral. As prefeituras param. O estado não terá recursos. Para tudo, no nosso caso para tudo. Essa emenda compromete as receitas do estado para tudo. O estado não terá recurso para dar continuidade para qualquer tipo de investimento.
Valor reduzido
No ano passado, o estado do Rio recebeu em royalties e participações especiais, mais de R$ 4 bilhões. Segundo o Governo do Estado, pela nova lei, o Rio passa a receber R$ 100 milhões.
Os senadores Francisco Dornelles, Paulo Duque e Marcelo Crivella, os presidentes da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, e da Fecomércio-Rio, Orlando Diniz também participaram da entrevista.
Uma manifestação com ponto facultativo para servidores
O governador Sergio Cabral convocou a população do Rio para uma manifestação contra a emenda Ibsen na próxima quarta-feira, a partir das 16h. Cabral disse que vai decretar ponto facultativo a partir das 15h para para os servidores estaduais. Sugeriu que as prefeituras também o façam. A manifestação terá concentração na Candelária, no Centro do Rio, e seguirá pela Avenida Rio Branco até a Cinelândia, onde haverá um ato público.
Saem R$ 5 bilhões do estado e eles têm que ser repostos disse o governador. Nós vamos perder mais do que tudo que o estado investiu em 2009, que foi cerca de R$ 4 bilhões. Tirou esse recurso, acaba o investimento. Acabou tudo. Não é exagero, não. O estado para.
A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) também planeja fazer um protesto contra a aprovação da emenda Ibsen. Segundo a Alerj, a manifestação deve ocorrer na próxima terça-feira , no Palácio Tiradentes, no Centro. Além dos 70 deputados e das 28 entidades que compõem o fórum, serão convidados prefeitos e secretários de estado.
O que eu acho incrível é que nós do estado do Rio de Janeiro, com essa nossa generosidade, nunca ficamos olhando para o vizinho disse Cabral Nunca reclamamos dos outros estados, a gente nunca brigou por causa de investimentos de outros estados, sejam na imprensa ou na política. Porque não é da nossa índole, pelo contrário, somos solidários.
O governador disse que prefeitos também trarão moradores para a manifestação na capital.
