Jornal do Brasil

Domingo, 25 de Junho de 2017

Rio

Correntes do Oeste trouxeram águas claras e quentes à orla do Rio

Jornal do Brasil

Carlos Braga, JB Online

RIO DE JANEIRO - Que as praias do Rio são espetaculares e destino procurado por turistas do mundo inteiro, já é sabido. Mas atire o primeiro espeto de queijo coalho quem nunca sentiu uma ponta de inveja daquele mar transparente das ilhas do Caribe. Pelo menos segunda-feira, o carioca pôde armar a cadeira no Arpoador e mergulhar na Martinica. Acontece de vez em quando, e o responsável é um fenômeno chamado informalmente de maré roxa .

Isso é normal. Ocorre várias vezes por ano no Rio, não só no verão explica o professor de engenharia costeira da Escola Politécnica e da Coppe/UFRJ, Paulo Rosman. Temos águas mais claras e mais turvas. Em geral, as mais claras são as mais quentes. Chegam com correntes de oeste para leste. Mas se a corrente correr no sentido contrário, trazem águas mais escuras. Depende da massa de água que vai chegar ao litoral.

Corrente de águas claras

O professor explica que o fenômeno chamado ressurgência traz águas frias e turvas para a costa. É mais comum que aconteça no verão do que no inverno. Quando há uma corrente de Leste para Oeste, a tendência é que as águas que estão na superfície se afastem da costa. Para que se reestabeleça o equilíbrio, a água que está no fundo, mais fria e menos transparente, ocupa o espaço que fica mais próximo da praia.

A ressurgência acontece muito em Cabo Frio, na Região dos Lagos. Essa é a razão do nome da cidade afirma Paulo Rosman. As águas são frias para caramba. O fenômeno que causa a maré roxa é o oposto da ressurgência. Quando as águas que ficam na superfície do mar se aproximam da costa, trazendo o aspecto mais cristalino. Ela é transparente por ter um nível de nutrientes muito baixo, são consideradas hipotróficas. Têm pouco ou nenhum fictoplâncton. Os pescadores preferem a água mais fria e turva, pois os peixes também.

O mar caribenho, segundo o professor, pode ficar no Rio de dois a oito dias. Esse é o período em que as correntes se deslocam em determinada direção, antes de virar para o sentido contrário. No caso, a que vai de Oeste para Leste e traz água transparente. Mas não se trata de fenômeno regular, pode durar dois dias numa direção e oito na oposta.

Outra causa para a maré roxa são os vórtices, espécie de gigantescos rodamoinhos, que giram e se deslocam bem lentamente, explica o professor Rosman. Podem ter até 100 km de diâmetro e ficam a 10 km do litoral.

Tocados pelo vento, os vórtices podem dar na costa. São correntes do mar que sofrem atrito e geram esses fenômenos. É uma coisa enorme rodando e andando devagarinho. Quando se desgarram e chegam à costa, trazem as águas cristalinas que ficam na superfície.

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