Rio ganhará 150 km de ciclovias
Flávio Dilascio , Jornal do Brasil
RIO - Com o objetivo de melhorar o complicado trânsito do Rio, e ao mesmo tempo reduzir a emissão de gases poluentes, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente desenvolve o projeto Rio Capital Nacional da Bicicleta que promete duplicar a malha cicloviária da cidade, hoje restrita a 150 km. O prazo para as obras finalizarem ainda não foi estabelecido, mas os estudos estão em fase avançada.
Na semana passada, a secretaria promoveu um workshoppara debater o projeto. Os responsáveis pela iniciativa fizeram uma visita técnica à Tijuca, bairro, que, segundo avaliação dos ambientalistas, deve receber o projeto piloto da proposta por carecer de sistema cicloviário.
Escolhemos a Tijuca como bairro modelo para esmiuçar o projeto, pois é uma área onde há muitas bicicletas, trânsito intenso e poucas ciclovias comentou Zé Lobo, presidente da ONG Transporte Ativo, que está participa do projeto.
Durante o evento-teste, os técnicos e especialistas se dividiram em dois grupos que tiveram como ponto de partida a Praça Saens Peña. A primeira turma foi e voltou da Praça Afonso Pena, enquanto a segunda fez um bate-e-volta até o estádio do Maracanã. Os dois percursos levaram pouco menos de uma hora, sendo que, em ambos, houve diversas paradas para análises e fotografias.
Já apresentamos pontos positivos e negativos dos locais visitados no bairro. O estudo de implantação de rotas ciclísticas no local, contudo, segue em andamento disse a coordenadora do programa cicloviário Anete Markus.
População otimista
A intenção da prefeitura em instalar ciclovias e criar alternativas para o uso de bicicletas no trânsito do Rio agrada aos tijucanos.
Será muito bom se instalarem ciclovias no bairro. Já fui atropelado por um carro e vários outros colegas meus também já passaram por situações semelhantes. Muitos motoristas não nos respeitam e, em algumas ruas, temos de andar na calçada para não sofrermos acidentes destacou o entregador de farmácia, Ronaldo Lima.
Proprietário de uma motocicleta, o piloto de avião Leandro Oddone, de 21 anos, é outro entusiasta da estruturação cicloviária no bairro da Zona Norte..
Sou a favor de se utilizar mais motos e bicicletas no trânsito. A criação de faixas compartilhadas nas vias principais também ajudaria opinou.
Experiência na Zona Sul
A prefeitura já testa em Copacabana a proposta de compartilhar pistas de rolamento entre carros e bicicletas. O objetivo é estimular o uso das magrelas em pequenas e médias distâncias. A via compartilhada liga as ruas internas do bairro (Rodolfo Dantas, Duvivier e Ministro Viveiros de Castro) até a Avenida Atlântica e a estação de metrô Arcoverde. Nesses trechos, a velocidade máxima dos veículos foi reduzida a 30km/h. O próximo passo é levar as ciclofaixas para as ruas Figueiredo Magalhães e Xavier da Silveira.
Aluguel de bicicleta chegará a mais quatro bairros até março
Criado em dezembro do ano passado, o Pedala Rio sistema de aluguel de bicicletas que teve início em Copacabana chegará a mais quatro bairros até março de 2010: Botafogo, Flamengo, Centro e Tijuca. Com 19 estações instaladas todas na Zona Sul o sistema funciona por meio de passes adquiridos no site www.mobilicidade.com.br. Os aluguéis podem ser de um dia (R$ 10) ou de um ano (R$ 100). A expansão conta com investimentos de R$ 15 milhões.
O estudo de campo feito pela Secretaria do Meio Ambiente, na Tijuca, na última semana, também teve a ver com a chegada do sistema de aluguéis ao bairro. Para a instalação do Pedala Rio, existe a possibilidade de criar faixas compartilhadas chamadas zonas 30 (ruas onde a velocidade máxima dos veículos é reduzida a 30 km/h).
Tivemos que analisar as ruas da Tijuca, pois o bairro vai receber o Pedala Rio, mas tem uma estrutura cicloviária bem deficitária reconheceu a assistente da gerência do programa de ciclovias, Maria Anita Fraga Souto.
Pelo projeto, os principais pontos do bairro, como as praças Saens Peña, Afonso Penha, Barão de Drummond e o Largo da Segunda-Feira, contarão com as estações de aluguel.
A chegada do sistema ao bairro agrada a maioria dos moradores, porém há ressalvas.
Acho que tem tudo para dar certo, porque o nosso bairro tem muitos engarrafamentos causados pela grande quantidade de ônibus. Teriam, no entanto, que reforçar a segurança na área, pois já tive duas bicicletas roubadas diz a dona de casa Celma Fernandes, moradora da Rua Carlos Vasconcelos, junto à Praça Saens Peña.
