Jornal do Brasil

Sábado, 22 de Julho de 2017

Rio

Hospitais do Rio perdem mais de cem médicos

Jornal do Brasil

Carlos Braga, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - A direção do Hospital do Andaraí (Zona Norte), teve que dispensar nesta terça-feira 42 médicos de sua equipe, informou a Comissão de Saúde Pública do Conselho Regional de Medicina (Cremerj). Segundo o presidente do sindicato dos médicos, Jorge Darze, na rede de hospitais federais do Rio, o total de baixas chega a 106. Todos estavam em regime de contrato temporário, forma que vinha sendo questionada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Darze diz não questionar a legalidade da decisão, mas teme pelas consequências que o término repentino do contrato possa trazer ao atendimento do público.

É irresponsabilidade retirar da rede federal, abruptamente, 106 médicos sem levar em conta que o trabalho deles repercute no atendimento à população avalia Darze. O setor de emergência do Hospital de Bonsucesso vai ficar muito prejudicado. Cerca de 30% dos médicos que fazem transplante de fígado foram desligados. Isso praticamente paralisa esse tipo de cirurgia lá. No Hospital do Andaraí, o CTI será o setor mais atingido.

Darze explica que o TCU considerou ilegal que o segundo vínculo dos médicos fosse feito por contrato temporário. Todos os profissionais dispensados são estatutários, prossegue Darze, e trabalham 20 horas semanais. Para que estendessem a jornada por mais 20 horas, optou-se por essa forma de vínculo empregatício.

O contrato temporário não pode ser política permanente de recursos humanos. Ele supre um déficit de profissionais para não prejudicar a população pondera o sindicalista. Mas a dispensa imediata desses profissionais vai causar exatamente o que se tentou evitar com a contratação deles: a falta de médicos. Estamos negociando com o Ministério da Saúde para que se estenda o prazo das dispensas até 10 de janeiro, para que até esta data se convoque um concurso público.

Para o clínico geral Pablo Queimadelos, secretário-geral do Cremerj, esse concurso, cuja realização está prevista para janeiro, pode não resolver o problema. Ele acha que os baixos salários cerca de R$ 2 mil para uma jornada de 20 horas semanais não vai atrair candidatos em número suficiente, pois os profissionais podem ganhar mais em instituições privadas, além de as especialidades contempladas no concurso deixarem de fora áreas importantes.

Para cardiologia são apenas 10 vagas; clínica médica, 32; oito para medicina do trabalho e uma para psiquiatria. Grandes áreas básicas como ginecologia e pediatria não serão contempladas nesse concurso. Estamos preocupados com a chegada do verão e o aumento de procura pelas emergências. Há cerca de 800 atendimentos diários no Andaraí. No verão, o trabalho aumenta 30%.

O Sindicato dos Médicos também vai enviar um ofício aos diretores dos hospitais da rede federal do Rio, para que eles avaliem como essa baixa no número de médicos vai prejudicar o funcionamento dos hospitais.

Com base nessas respostas, poderemos decidir por um processo judicial, na medida que não houver sensibilidade do Ministério da Saúde para tratar da questão disse Darze.

Sem resposta

Procurado, o Ministério da Saúde, por meio de sua assessoria de imprensa, pediu que fosse enviado e-mail com as perguntas. Mas, até as 22h, não houve resposta.

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