Jornal do Brasil

Sábado, 22 de Julho de 2017

Rio

Palmeiras raras do Aterro vão morrer, e ainda não há como repor

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Flávia Salme, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Elas estão no Aterro do Flamengo desde 1965. Fazem parte do projeto original de Burle Marx e, somente agora, no ano em que se comemora o centenário de nascimento do paisagista, é que resolveram desabrochar. Um presente para para seu finado tutor e aos milhares de cariocas e turistas que visitam a cidade. Mas nem tudo são flores. Literalmente: após a floração, as palmeiras Corypha umbraculifera, conhecidas como Palma Talipot, morrem e a prefeitura ainda não tem uma ação definida para repor as espécies no local. Então, quem ainda não viu, deve se apressar. Se tudo der certo, elas ficam em pé por mais quatro ou seis meses.

De acordo com o diretor de Arborização da Fundação Parques e Jardins (FPJ) órgão vinculado à Secretaria Municipal de Meio Ambiente David Lessa, as palmeiras Talipot não são originais do Brasil e, até agora, afirma, não há notícias de hortos que a cultivem no país. Ele garante que a fundação tenta comprar mudas da espécie para promover o replantio. Mas, por enquanto, não há prazos para que a perda seja recompensada.

Se não houver ninguém que venda no Brasil, vamos ter que importar. Vai ficar muito caro. De qualquer maneira, é preciso esperar o fim da floração para remover as palmeiras, esse é o tempo que temos para encontrar uma solução explicou Lessa.

Auge na terceira idade

O engenheiro florestal Flávio Telles, subgerente de plantio da FPJ, ensina que a palmeira Talipot é uma espécie nativa do sul Índia (Costa do Malabar) e do Sri Lanka. É uma das maiores do mundo, podendo chegar a 25 metros de altura. A inflorescência (nascimento de mais de uma flor na haste da planta) também chama a atenção dos especialistas, já que pode chegar a seis ou a oito metros de comprimento. É a partir daí, que a natureza faz seu espetáculo: do topo da árvore surge um festival de flores amarelas, verdes e castanhas, que soberanamente roubam a cena no Aterro do Flamengo.

Elas têm um crescimento lento, em média, costumam dar frutos a partir dos 50 anos de idade, não é uma regra, algumas demandam mais tempo para florescer. Depois, porém, elas morrem. O processo todo até a morte leva de quatro a seis meses diz Telles.

Projeto para revitalizar o aterro

Estas não serão as primeiras palmeiras Talipot que sairão de cena no Aterro do Flamengo. Um levantamento realizado pela paisagista Denise Pinheiro, a pedido do Rotary Club Flamengo, mostra que das 17 mil espécies plantadas por Burle Marx, entre elas as palmeiras, restaram apenas 9.494 no lugar. Para resolver o problema, o diretor de Arborização da FPJ, David Lessa, anuncia uma grande ação para retomar a revitalização do espaço.

Do total de árvores, 2.600 morreram ou tiveram de ser sacrificadas por alguma doença. Após a finalização do estudo, vamos apresentar a proposta ao prefeito. O mapeamento já está feito, agora, temos que levantar quanto vai custar para recuperar o projeto original informa David Lessa.

Burle Marx: homenagem antes tarde do que nunca

Para não deixar o centenário de nascimento do paisagista Roberto Burle Marx passar em vão, a Fundação Parques e Jardins começa a recuperar, no ano que vem, duas praças projetadas pelo artista: a Senador Salgado Filho, em frente ao Aaeroporto Santos Dumont, e a Praça do Teatro Armando Gonzaga, em Marechal Hermes.

O mapeamento realizado pela paisagista Denise Pinheiro a pedido do Rotary Club Flamengo indica que várias espécies desapareceram da praça Salgado Filho, entre elas, as plantas aquáticas originais que compunham o espelho d'água do lugar.

O prefeito Eduardo Paes autorizou a revitalização dessas duas praças. É preciso apenas aguardar o dinheiro ficar disponível, para a gente colocar o edital de licitação na rua anuncia o diretor de Arborização da FPJ, David Lessa.

No total, as duas obras devem custar cerca R$ 240 mil.

Serão R$ 160 mil para a Praça Salgado Filho e R$ 80 mil para a Praça do Teatro Armando Gonzaga. O prazo estimado para o fim das obras só poderemos divulgar após a elaboração do edital explica Sydnei Menezes, diretor de Planejamento e Projetos da fundação.

Obras começam em 2010

De acordo com a Fundação Parques e Jardins, as obras para revitalizar os jardins projetados por Burle Marx no Centro e na Zona Norte só devem começar no primeiro semestre do ano que vem. Embora o prefeito já tenha autorizado a reforma, os termos do edital só poderão ser formulados após a Secretaria Municipal de Fazenda disponibilizar os recursos previstos para a reforma.

Primeiro passo

O diretor de Projetos do Rotary Club Flamengo, Fernando Potsch, acredita que a revitalização dessas duas praças projetadas por Burle Marx seja o primeiro passo para a recuperação do projeto do paisagista no parque do Flamengo.

Acho que o prefeito Eduardo Paes vai comprar a ideia. Pelo que levantamos, a iniciativa privada está disposta a ajudar. A cidade só ganha. A expectativa é resolver tudo até o ano que vem.

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