Carnaval rende R$ 1 bilhão por ano aos cofres do Rio
Thiago Feres, Jornal do Brasil
RIO - A beleza e o brilho dos desfiles das escolas de samba no Sambódromo suigerem que muito se gasta para colocar uma agremiação na avenida, mas o montante de dinheiro movimentado no Carnaval carioca vai muito além das matérias-primas, metais e outras peças, muitas delas importadas, com que são adornadas alegorias e fantasias. Para se ter uma ideia, a festa pagã perde apenas para o Natal em termos de geração de recursos para a cidade. Ao todo, os dias de folia são responsáveis por injetar anualmente R$ 1 bilhão na economia do Rio e geram 260 mil postos de trabalho temporários.
Os números foram levantados pelo escritor Luiz Carlos Prestes Filho, que reuniu dados de vários setores, como a Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) e o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), no livro Cadeia Produtiva do Carnaval. A publicação, de 227 páginas, foi lançada na última quinta-feira.
Quem se beneficia com o Carnaval não são nem as escolas de samba nem as comunidades. O lucro é sempre dos setores de turismo, transportes, espetáculos, televisão, entre outros destaca Luiz Carlos Prestes, que, como o nome mostra, é filho do principal líder comunista brasileiro.
No livro, o autor destaca um grande potencial que ainda não foi explorado pelas agremiações do samba ao longo de décadas de desfiles.
O Rio de Janeiro não pode focar somente na economia do petróleo e do gás. É preciso dar espaço para a indústria limpa. Petróleo e gás são finitos, mas a cultura é infinita. Além disso, o Carnaval é uma manifestação cultural do nosso povo, da nossa cidade. Somente um patrimônio como esse é capaz de gerar 260 mil novos postos de trabalho por ano frisa Luiz Carlos.
Barra Mansa fatura
Atualmente, o Rio de Janeiro importa pedras preciosas da China para a produção de alegorias e de adereços usados na folia. Na mão inversa, a cidade é a responsável pela exportação de peças de bordado, utilizadas durante o Carnaval, para países como Estados Unidos, Alemanha, Suiça, Portugal, África do Sul e outras nações árabes. A cidade de Barra Mansa, na região Sul Fluminense, já é a responsável pela fabricação de 39 milhões de peças de bordado, o que gera um lucro de R$ 53 milhões por ano. Luiz Carlos Prestes Filho também ressaltou a importância de uma proteção das marcas das escolas de samba para uma melhor saúde financeira das agremiações.
- Nós identificamos um potencial muito grande de crescimento no Carnaval. Nos dias atuais, as marcas das escolas não são protegidas. Isso é um problema muito grave. A criação de políticas de defesa das marcas ou das criações poderia trazer um significativo retorno financeiro ao samba. Uma empresa como a Disney é gestora de marca e direitos. Temos muito o que aprender nesse campo analisa.
O diretor do Departamento Cultural da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Hiran Araújo, porém, acha que o quadro já está mudando.
Já existe mais consciência das escolas de samba do grupo especial sobre esse tema, e elas já estão se organizando melhor. Apesar disso, eu considero que Mangueira e Portela é que precisam mesmo de uma mudança na estrutura, uma vez que não haveria espaço no mercado para 60 agremiações. Somente as maiores teriam algum destaque afirma.
