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Zoológico do Rio vai dobrar de tamanho

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Flávia Salme, Jornal do Brasil

RIO - Depois da Zona Portuária, a Quinta da Boa Vista será a região da cidade que mais vai receber investimentos da prefeitura. As secretarias municipais de Meio Ambiente e de Urbanismo vão comandar a revitalização do espaço, que há anos sofre com o abandono, mesmo com a intensa visitação ao Jardim Zoológico da cidade. Por falar na casa onde vivem cerca de 2.500 animais, um dos pontos altos da reforma estará concentrado lá. A novidade mais aguardada é a finalização de um acordo com o Exército que permitirá ao Zoo duplicar sua área de 140 mil metros quadrados. Otimista, o presidente da Fundação RioZoo, Marcelo Maia, acredita que tudo será resolvido em três meses.

O prefeito Eduardo Paes já disse que o zoo terá todo o incentivo que merece. Queremos que nosso Jardim Zoológico seja reconhecido mundialmente anima-se Maia.

Ele explica que a proposta está sendo negociada por uma comissão tripartite, formada por representantes da prefeitura, do governo do estado e do Exército. Uma área será cedida aos militares em troca do espaço onde funcionava o Estande de Tiros General Dutra, hoje desativado (após uma polêmica sobre se os treinamentos estressavam os animais).

O projeto de revitalização da Quinta da Boa Vista será apresentado até dezembro, segundo o secretário municipal de Urbanismo, Sérgio Dias. Ele garante que toda a reforma ficará pronta até o fim da gestão de Paes e será tocada em parceria com os governos federal e estadual.

Faremos um grande congraçamento para tocar esse projeto, que será fundamental para aquela região. A revitalização começará no Maracanã e vai terminar na Quinta. E, claro, o zoológico será contemplado adianta Dias.

Recintos de até R$ 2 milhões

Para transformar o zoológico em um espaço de padrão internacional, investimentos pesados precisarão ser feitos. A ideia é manter os animais o mais próximo possível do seu habitat natural. Para isso, recintos (jaula é coisa do passado) com aspecto de vitrine estão descartados. Mato alto, galhos pendurados e até tocas serão utilizados, mesmo que deixem o lugar bagunçado .

Poderemos gastar R$ 500 mil para construir um recinto ou, quem sabe, R$ 2 milhões. Vai depender da necessidade de sobrevivência do animal. Assinamos um termo de cooperação técnica com o Ibama para garantir o maior conforto possível para nosso plantel (grupo de animais preservados para reprodução). Zoológico não é parque de diversões, há responsabilidades que devem ser prioritárias, como o bem-estar dos bichos.

O presidente da Fundação RioZoo afirma que as mudanças no zoológico carioca já poderão ser vistas no próximo mês, quando uma nova decoração será apresentada aos visitantes. A fachada será coberta por uma camada de vinil com a estampa de uma selva. Algumas melhorias já foram garantidas, como a instalação de rampas para deficientes e banheiros químicos para os visitantes.

Entrevista: Seremos referência no mundo todo

Há seis meses à frente da fundação RioZoo, o economista Marcelo Maia admite que não entende nada de bicho. Afirma que seu negócio é gestão , mas garante que se apaixonou pelos animais. Ele conta que, quando assumiu o posto, encontrou uma equipe desanimada e um espaço abandonado. Na avaliação dele, a instituição estava isolada de toda a comunidade científica. Mas o pior, segundo Maia, era a falta de preparo dos recintos onde ficam os animais e a capacidade de recepção aos visitantes. A seguir, o presidente da Fundação RioZoo explica as ações que pretende implementar no espaço para que, como faz questão de ressaltar, seja reconhecido no mundo todo . Confira a entrevista:

O senhor afirma que encontrou uma situação muito ruim no Jardim Zoológico do Rio. Que nota merece o lugar?

Hoje, eu dou sete. Mas, há algum tempo, merecia menos. Quando assumi, encontrei uma equipe completamente desestimulada. Os recintos não estavam preparados para receber os animais. A instituição estava isolada. Faltava banheiro para os visitantes.

E em seis meses, o senhor já conseguiu reverter esses problemas?

Houve avanços. Reurbanizamos as vias internas, que estavam esburacadas. Cadeirantes e idosos não conseguiam visitar o Zoo. Hoje, podem. Também instalamos banheiros químicos para os visitantes. No Dia da Criança, em outubro, batemos recorde de público, foram 60 mil pessoas, sendo 31 mil delas pagantes. Imagina isso sem banheiros suficientes? Sou obcecado por metas. Tenho três: motivar os funcionários, recuperar o respeito ao zoo como instituição científica produtora de conhecimento e garantir o enriquecimento ambiental, para preservar a saúde dos animais que vivem aqui.

Está sendo negociada a cessão do estande de tiros desativado do Exército para o Jardim Zoológico. Há prazo para a finalização do acordo?

A decisão já está acertada, graças a uma parceria entre a prefeitura, o governo do estado e o governo federal. O estado vai ceder um terreno para os militares em troca do estande. Com isso, vamos dobrar a área do zoológico, vamos chegar a 280 mil metros quadrados, a revitalização será total. Queremos surpreender o mundo com a nossa competência. Não entendo nada de bicho, meu negócio é gestão. Mas aprendi a me apaixonar pelos animais, eles interagem com a gente. A meta é criar ambientes onde eles vivam e se reproduzam com a maior qualidade de vida possível.

Há verbas para isso?

Temos o apoio total do prefeito Eduardo Paes. Ele quer a revitalização da área. Hoje, além da verba de bilheteria, que não é muita, contamos com um repasse mensal de R$ 700 mil. Mas, certamente haverá aportes para as mudanças. Queremos que o zoo seja reconhecido no mundo todo.

E como fazer isso?

Estamos fechando diversas parcerias com órgãos internacionais. É uma prova de que trabalhamos seriamente. Conquistamos a confiança do zoológico de Lisboa (Portugal), que irá nos enviar três leões e dois cangurus. O zoológico de Budapeste vai nos mandar um rinoceronte. Essas ações confirmam a nossa credibilidade, não nos entregariam os animais se não tivéssemos condições de abrigá-los.

Mas o senhor disse que os recintos não estavam preparados...

Nossa estrutura é de 1945, quando o Jardim Zoológico foi inaugurado na Quinta da Boa Vista. É o zoológico mais antigo do Brasil. Claro que mudanças foram feitas e é bom ficar claro que todos os recintos da Fundação RioZoo encontram-se dentro das normas e leis do Ibama. Mas podemos melhorar, garantir aos animais que fiquem instalados em ambientes que se aproximem de suas origens.

Então, o que há de errado?

Não há nada de errado. Em termos de estrutura, posso afirmar que estamos na frente de muitos zoológicos de primeira linha. Há áreas que podem e devem ser melhoradas. Por exemplo: recebemos recentemente do zoológico do Japão a oferta de um urso Panda. Olha o calor que faz no Rio de Janeiro, eu não tenho condições de abrigar esse animal, não pude aceitar. Só vou manter aqui os animais que puder abrigar em condições decentes, ainda que sejam feias. Se você olhar o recinto dos macacos vai encontrar um matagal lá. Não é desleixo, é proposital. É assim que vivem em seus habitats. A visitação deixa os animais estressados.

Por que os animais ficam estressados?

Esse é um bom debate. Temos de investir em educação ambiental, desenvolver no público o conceito de interação entre meio ambiente, visitantes e animais. Os felinos, por exemplo, têm hábitos noturnos, por isso, dormem durante o dia. Há visitantes que chegam aqui e jogam pedras nos bichos para que acordem. Para resolver problemas como este, criamos, durante o inverno, as visitas noturnas, das 18h às 20h. Trabalhamos outras ações.

O senhor falou em isolamento da comunidade científica. Isso é um problema?

Estamos revertendo. O zoo passou por um bom período de ostracismo, mas estamos voltando a ser referência. Acabamos de receber um grupo de estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF). Temos um excelente hospital veterinário aqui, fazemos cirurgias inéditas. Acabamos de colocar uma prótese na mandíbula de uma cobra, essas ações têm que ser divulgadas. Por isso, lançaremos em breve uma revista eletrônica.

Havia rumores de desentendimento entre os zoológicos do Rio e de Niterói, por conta de uma sobrecarga de atendimento a animais resgatados na instituição niteroiense, já que a do Rio estava recusando esses animais. É verdade?

Tudo resolvido. Sentamos com a direção do zoológico de Niterói e com o Corpo de Bombeiros do Rio. Quem vai decidir o lugar em que o animal resgatado será atendido serão os bombeiros. O critério vai ser a proximidade do local onde o bicho for encontrado.

O senhor disse que o Jardim Zoológico não é parque de diversões. Como será a concessão do espaço interno para receber restaurantes e áreas de lazer?

O fato de não sermos um parque de diversões não significa que os visitantes tenham de ser mal atendidos. As visitas hoje duram em média duas horas, queremos que o público passe o dia no zoo. Para isso, teremos de oferecer uma boa infra-estrutura. Por exemplo, hoje, temos pequenas áreas de fast-food. O conceito que vamos implementar é outro. Em 2010 vamos apresentar os editais de licitação das áreas que serão cedidas.

Quais são as outras propostas?

Algumas já estão em andamento. Por exemplo: antes, o visitante chegava aqui e não tinha noção de onde ficava a jaula do leão. Fizemos uma maquete, que está na entrada do zoo, para que todos possam se localizar. Além de incrementar a fachada, vamos sinalizar todo o espaço interno e reformular a bilheteria, está muito ruim. E queremos abrir às segundas-feiras, o que hoje não acontece.

E sobre os animais, o senhor tem algum preferido?

Não, gosto de todos. Mas o Zagalo (girafa) é um parceiro especial. Coitado, a (fêmea) Beija-Céu faz o maior jogo duro (risos)!

Não há previsão para ela engravidar?

Está difícil. O Zagalo tenta, mas ela é uma girafa bem reservada.

E a elefante Koala, continua solitária?

Ela está com um hóspede agora, mas é muito ciumenta. Noutro dia, o veterinário teve de vir à noite para cá porque ela estava gritando. O motivo? A presença de um elefante do Circo do Beto Carreiro que estamos abrigando. É uma senhora difícil ela (Koala tem 49 anos e nunca arrumou um namorado).

Há algum novo casal à vista?

Sim, na semana que vem vamos receber um urso de óculos do zoológico de Salvador. É a única espécie da América do Sul e está ameaçada de extinção. Ele vai fazer companhia para uma fêmea da mesma espécie que temos aqui. Queremos realizar o processo de reprodução em cativeiro. Os animais não têm nomes e a população poderá dar sugestões.