Até a Copa e a Olimpíada, Rio precisa ampliar oferta de camping
Carlos Braga, Jornal do Brasil
DA REDAÇÃO - Um dos maiores desafios da cidade do Rio após o anúncio de que sediará a Olimpíada de 2016 é aumentar a oferta de vagas para hospedar a pororoca de turistas que vai desaguar no Rio, não só durante os jogos, mas também para a Copa do Mundo, em 2014. A cidade receberá o visitante acostumado ao luxo das cinco estrelas e o que economizou trocados para dividir um mafuá com mais 15 amigos. Este último tipo de turista geralmente procura um camping, forma de hospedagem que tem sido ignorada pela administração municipal, o que pode provocar uma ocpuação caótica de praias e demais espaços livres da cidade.
No tipo de turista que virá ao Rio em 2014 e 2016, haverá uma proporção bem maior de latino-americanos comentou, por e-mail, o ex-prefeito Cesar Maia. O que exigirá uma oferta ampliada de hotéis de duas estrelas, quartos de aluguel e especialmente campings. Há uma diferença quando os Jogos Olímpicos são realizados na Europa e EUA, em função da renda média dos turistas.
Ninguém sabe exatamente, porém, a quantidade de campings que que existem na cidade nem quantos existiram. O certo é que não há muitos. Uma pesquisa realizada pelo JB encontrou apenas dois: o Camping Verde Mar e o que pertence à rede Camping Clube do Brasil, ambos no Recreio dos Bandeirantes (Zona Oeste). O primeiro, menor e mais simples, é administrado pela advogada aposentada Aurita Rodrigues Zaneti. Tem cerca de 13 mil metros quadrados, campo de futebol soçaite, de vôlei, duas piscinas pequenas, banheiros coletivos, churrasqueiras e uma área coberta que serve para lazer e refeitório. Quando inaugurou o negócio, há 20 anos, o amplo terreno vivia lotado de trailers e barracas. Hoje diz que só enche quando há esses shows grandes e vem um monte de gente de São Paulo .
Obras para Olimpíada
Atualmente sua renda vem dos clientes fixos, que moram lá. Cobra diária de R$ 15 por pessoa que acampa e R$ 25 de quem ficar em trailer. Garante que há um hóspede que tem uma cobertura na Tijuca, mas prefere morar ali. A perspectiva dos turistas da Copa do Mundo e da Olimpíada fez Aurita traçar planos.
Vou construir novos banheiros, fazer um campo de futebol melhor e uma nova área para barracas e trailers planeja. Uma vez, veio para ficar aqui aquele Inri Cristo, com um trailer enorme e aquelas assistentes dele. Mas, pelo tamanho, não conseguiu passar do portão. Até gostei que ele não tivesse entrado.
Secretário adminstrativo da filial do Camping Clube do Brasil do Rio, Willian Tadeu diz que o campista tem entre 25 e 45 anos, é de classe média e escolhe esse tipo de hospedagem por gostar da vida ao ar livre, e não pelo preço em conta. Explica que a tecnologia aliada a campings com boa estrutura tornaram a atividade bem mais confortável do que tempos atrás.
Os valores de acampamento em nossa rede de campings são oferecidos a partir de R$ 4,25 para associados e, R$ 12,75 para não associados. Aqui no Brasil, camping anda é visto como atividade de baixa renda. Infelizmente, a cultura dos brasileiros é superestimar o que é ostentador, caro e luxuoso, e menosprezar o prático, o simples e barato.
Lei impede acampamento em qualquer lugar
Para os turistas desavisados e aventureiros, vale lembrar que no Rio de Janeiro não se pode armar a barraca onde der na telha. Muito menos na praia.
O decreto municipal n.º 29.881/2008, regulamento 17 veda a prática expressamente em praças, parques e jardins, determinando que somente seja praticado nas áreas especialmente destinadas para a atividade, sob pena de confisco do equipamento alerta o advogado Luiz Guilherme Natalizi.
As vagas existentes no camping poderiam ser uma alternativa de hospedagem para os turistas que chegarão com a Copa do Mundo e a Olimpíada, já que a cidade ainda não dispõe das unidades habitacionais para abrigá-las, analisa o coordenador dos cursos de turismo e hotelaria da UniverCidade, Bayard Boiteux.
O turista de baixo poder aquisitivo também procura como opção de hospedagem os Albergues da Juventude disse Boiteux. A diária desses locais custa entre US$ 12 e US$ 20, e eles são voltados para pessoas de todas as idades, e não somente jovens.
O professor ressalta que não dispõe de dados suficientes sobre a situação dos campings na cidade. Mas, em tese, os considera uma boa resposta para compensar o déficit de vagas da rede hoteleira do Rio. Diz que, atualmente, também há um bom número de hotéis econômicos, onde se cobra uma diária em torno de R$ 65, sem café da manhã.
E esse valor pode ser divido por até três pessoas, que podem ocupar o quarto ao mesmo tempo conta Boiteux. Na Europa, Austrália e Estados Unidos, os campings são ocupados, em grande parte, por motorhomes (caminhões em que o trailer é montado na carroceria). Não é mais o esquema de chegar lá e levantar a barraca. Estaciona-se o veículo e o camping dá o apoio com banheiros, cozinhas e lazer.
