Parentes de trêsmortos no Morro dos Macacos processam o Estado
Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - As famílias dos três rapazes mortos no Morro dos Macacos no último dia 17 vão processar o governo do Estado e receberão assistência jurídica da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB/RJ). Reunidas nesta terça-feira com a presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ, Margarida Pressburger, as mães de Leonardo Fernandes Paulino, Marcelo da Costa Ferreira Gomes e Francisco Aílton Vieira pediram ajuda para requerer indenização por danos morais e materiais, além da responsabilização dos culpados.
O Estado tem o dever de proteger os cidadãos, de garantir sua segurança, e já existe um entendimento do Supremo Tribunal Federal nesse sentido afirmou Margarida Pressburger.
A Comissão de Direitos Humanos vai atuar também na esfera criminal, para tentar chegar aos autores dos disparos.
Mas não importa de onde o projétil tenha partido, o governo tem que assumir suas responsabilidades disse Margarida.
Os três rapazes eram trabalhadores e ajudavam no sustento das famílias. Um deles, Leonardo, tinha um filho de 5 anos. O irmão de Francisco, Adeílton, único sobrevivente do grupo, está se recuperando dos ferimentos de quatro balas, e também é pai de uma criança pequena. Muito emocionadas, as mães mostraram os documentos ainda sujos de sangue e as carteiras de trabalho. Inicialmente, a Polícia Militar anunciou que os quatro eram bandidos, mas, diante do protesto das famílias, seu comandante, coronel Mário Sérgio Duarte, pediu desculpas publicamente.
A polícia atribuiu as mortes dos jovens a traficantes da favela de São João, que invadiram a comunidade do Morro dos Macacos para tomar os pontos de venda de drogas. Os três jovens voltavam de uma festa e foram assassinados a tiros.
Durante os confrontos no Morro dos Macacos, um helicóptero da PM foi derrubado por traficantes. Três policiais morreram.
Margarida Pressburger disse que a OAB/RJ está à disposição também das famílias dos policiais vítimas dos confrontos, e voltou a criticar a política de segurança pública do governo estadual.
Não é possível que isso continue assim. É rara a semana em que não há mortos inocentes nessas operações lamentou.
O tio de Marcelo, José Marconi, disse que, logo após a queda do helicóptero com os policiais, outro, que veio em socorro, passou a atirar de cima, indiscriminadamente.
Foi um absurdo, tive que me refugiar dentro de uma casa onde havia umas 200 pessoas que tentavam se proteger do tiroteio.
