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O Rio é a cidade mais feliz do mundo

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Carlos Braga, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Depois de ler as respostas que 10 mil pessoas, de 20 países, deram a uma pesquisa, o escritor e consultor do governo americano Simon Anholt concluiu que a cidade do Rio de Janeiro é a mais feliz do mundo. Anholt fez o trabalho em parceria com o instituto de pesquisa de mercado GfK Custom Research North America.

Em segundo lugar, ficou Sydney (Austrália); em terceiro, Barcelona (Espanha) e em quarto Amsterdâ (Holanda).

Para o gari Renato Luiz Feliciano Lourenço, o Renato Sorriso (aquele que sambou com a vassoura num Carnaval na Sapucaí), Anholt confirmou o que ele já sabia. Nem os tiroteios constantes que têm acontecido na sua área, Tomás Coelho, tiram o seu bom humor.

São brigas de sociedades, né? O Rio não tem terremoto, maremoto, mas tem muitas mulheres bonitas analisa Renato. Nós somos povão, o carioca sabe viver, é simpático. Lá fora, as pessoas são mais fechadas, individualistas.

O objetivo da pesquisa é medir a percepção que se tem de 50 cidades, avaliando-as como se fossem uma marca, para distinguir quais aspectos caracterizam cada uma delas. Vários critérios entraram na análise. Curiosamente, felicidade não era um deles. Atratividade, sim, conceito no qual o Rio alcançou seu melhor resultado: 14º. Nesse ponto, é avaliada a capacidade da cidade para atrair visitantes ou moradores por aspectos como eventos, alimentação, moda, artes, cultura, esportes, compras e vida noturna. Entrevistados classificaram o Rio como uma cidade vibrante e com pessoas amigáveis . Em serviços públicos, porém, o Rio ficou em 43º. No cômputo geral, a Cidade Maravilhosa conseguiu o 31º lugar, à frente de Buenos Aires (35º) e do México (43º), as duas únicas cidades da América Latina a participarem da pesquisa. Paris foi eleita a cidade/marca top do mundo no estudo que é usado por agências governamentais de diversos países.

Essa felicidade toda foi percebida por Simon Anholt depois de analisar as respostas. Para o professor de história Milton Teixeira, essa alegria tem origens na nossa história. Ele conta que já na carta de Pero Vaz de Caminha o Brasil é apresentado como o paraíso terrestre.

Os europeus deixavam a miséria e a tristeza para trás e tentavam vida nova aqui. Havia menos regras e exigências sociais e mais liberdade. O melhor exemplo disso é Dom João VI. Era um homem triste e deprimido. Depois de morar aqui, não queria mais deixar o Brasil. Ele dizia, já em Portugal, que passou seus melhores anos nesta terra.

Ao saber da pesquisa, o prefeito Eduardo Paes declarou:

É mais um reconhecimento da qualidade de vida da nossa cidade. O mundo descobriu o que nós já sabemos: o Rio é o melhor lugar para viver e para trabalhar. Que outra cidade é capaz de reunir com tanta perfeição natureza, cultura e vida urbana? É um orgulho saber que a alegria dos cariocas ganha fama e o imaginário internacional. Eu posso garantir que não existe prefeito mais feliz do que o da cidade maravilhosa.

O professor de turismo Bayard Boiteux já detectou a felicidade que os turistas estrangeiros percebem no carioca em pesquisas que coordenou. Ele conta que os gringos ficam fascinados como pessoas que tinham acabado de conhecer lhes davam o número do telefone, abriam suas casas e os convidavam para sair.

Uma amiga, que morou na Suécia, contava que era vista com estranheza por cantar no ponto de ônibus ao ir para o trabalho. Somos muito mais emoção.

Por não morarem aqui é que os pesquisados têm essa imagem de felicidade, avalia, porém, o cantor Toni Platão.

Até acho que o carioca consegue se divertir bastante. Mas mudou muito. Hoje você bate no braço das pessoas para perguntar as horas e elas se assustam. A vida ficou muito difícil para quem vive e trabalha aqui. Mas passar as férias no Rio com dinheiro no bolso continua sendo muito bom.