Jornal do Brasil

Quarta-feira, 16 de Agosto de 2017

Rio

Médico foi grosseiro, diz vítima

Jornal do Brasil

Mario Hugo Monken, Jornal do Brasil

RIO - O médico agiu grosseiramente. Me puxou pelo braço e, sem dizer nada, escreveu nele o nome da maternidade Fernando Magalhães e as linhas de ônibus que eu teria que pegar.

A declaração é de Valquíria Gonçalves Bernardo, de 22 anos, uma das três gestantes prestes a entrar em trabalho de parto que tiveram atendimento recusado por um médico no Hospital Miguel Couto, no Leblon (Zona Sul) na última quinta-feira. Apesar de já estar com a bolsa rompida, Valquíria pegou um ônibus e conseguiu chegar à maternidade a tempo de seu bebê nascer.

O médico, que não teve o nome divulgado, foi suspenso no domingo pela Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil (SMSDC). Ele ficará afastado das funções até o fim das investigações, que deverão ser concluídas até o final desta semana e não mais em três, segundo a SMSDC. Um inquérito policial também foi aberto na 14ª DP (Leblon).

O profissional orientou as três gestantes a irem de ônibus para a maternidade Fernando Magalhães, em São Cristóvão e ainda anotou no braço delas o número das linhas de ônibus 460 (São Cristóvão-Leblon) e 476 (Méier-Leblon) que teriam que pegar. Manuela Costa, de 29 anos, que apresentava gravidez de risco, com sete meses de gestação, acabou perdendo o bebê.

Valquíria contou ao JB que nem teve tempo de discordar da atitude do médico e saiu às pressas do Miguel Couto. Segundo ela, o ônibus que pegou a deixou longe da Fernando Magalhães, obrigando-a a pedir carona a um desconhecido para chegar até a maternidade. Seu bebê passa bem.

Segundo Valquíria, quando ela chegou ao Miguel Couto, o médico também já a havia puxado pelo braço.

Ele me levou até a enfermaria para mostrar que não havia vagas, mas eu disse que precisava de atendimento, porque minha bolsa tinha rompido explicou.

Manuela Costa permanece internada na Fernando Magalhães. A SMSDC informou que ela precisou ser removida no final da tarde de domingo para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da maternidade Fernando Magalhães, em São Cristóvão.

De acordo com o órgão, Manuela sofreu anemia logo após a cesariana a que foi submetida. Com isso, teve que voltar para a UTI para realizar uma transfusão de sangue. Ela ainda não tem previsão de alta, mas encontra-se lúcida.

A gravidez de Manuela era de risco, porque houve descolamento prematuro de placenta (DPP). Depois de ter sido orientada pelo médico do Miguel Couto a ir de ônibus para a maternidade, ela acabou perdendo o bebê que seria a sua primeira menina (já tem dois filhos homens). Manuela já tinha, inclusive, comprado roupas para a criança.

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