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Cresce o número de menores infratores no Largo do Machado

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RIO - A praça centenária, com seus brinquedos, mesinhas de jogos, quiosque de flores, lago com chafariz e bancos em grande parte de sua extensão deveria ser o local perfeito para o banho de sol matutino das crianças e dos idosos. Deveria, porque o Largo do Machado vem há tempos sofrendo com o aumento da população de rua, da sujeira e dos menores infratores.

- No fim de semana, principalmente à noite, acontecem muitas brigas entre gangues. O problema é que a polícia vai mais intensamente para as áreas mais nobres da cidade. Em Ipanema, Copacabana, estão combatendo mais com as operações do Ipa e Copabacana, aqui nem tanto. Acho que muitos menores acabaram migrando para cá - reclama Márcio Figueiredo, de 34 anos, que trabalha no Largo do Machado há mais de 15 anos.

Elza Lacerda, de 75 anos, aposentada e moradora da rua das Laranjeiras há mais de 50 anos, confirma o alto número de pequenos furtos e roubos.

- Moro aqui perto do Largo do Machado e já fui assaltada mais de uma vez. Minha filha outro dia presenciou um arrastão de carros, promovido por menores, bem ali em frente à galeria Condor . Com os velhinhos e alunos eles agem esbarrando forte na gente e arrancam tudo da mão. Arrancam desde celulares até mesmo sacolas de supermercado. É um pessoal muito sem educação, sem limite algum. Ficam soltos por aí, cheiram cola, desrespeitam a todos reclamou a idosa.

Gilson Gomes, de 29 anos, que é dono de banca de jornais e trabalha na região há mais de 10 anos, confirma o relato dos idosos e diz que a hora de pico das infrações acontece no final da tarde.

O que se vê mais são os pequenos furtos, ou então eles agem na base da coação, praticamente te obrigam a dar algum dinheiro. Também não costumam andar armados. O horário crítico das infrações vai das 18h até às 22h - afirmou.

- Eles gostam de roubar as senhoras, os idosos, principalmente quando há mais movimento no comércio, como no Natal. Sempre tenho que colocá-los para longe da minha banca para que não incomodem meus clientes comentou.

Os números falam por si só

Dados estatísticos do Instituto de Segurança Pública, órgão ligado à Secretaria de Segurança Pública do Governo do Estado, referentes à AISP 2 (Área Integrada de Segurança Pública 2), que abrange o Largo do Machado e bairros vizinhos, mostram que, na comparação entre janeiro de 2007 e janeiro de 2008, diversos delitos aumentaram.

Entre os delitos, os que mais relevantes são a ameaça (com mais 18 casos ou aumento de 40% entre 2007 e 2008), roubo de veículo (com mais 15 casos ou 60%) e lesão culposa de trânsito (com mais 12 casos ou 38,7%).

A Palavra das Autoridades

O delegado titular da 9ª DP (Catete), delegacia que abrange o Largo do Machado, Catete, Flamengo, Laranjeiras, Cosme Velho e Glória, Fábio Ferreira informa que as maiores ocorrências na área são furto e roubo a transeuntes e roubo de veículos.

A maior incidência de casos que envolve os menores são os pequenos furtos. No Largo do Machado, a ação deles se dá principalmente na praça principal e próximo à igreja. Os menores infratores totalizam uma parcela considerável e bastante relevante neste tipo de infração disse Ferreira.

Para reduzir o número de infrações cometidas pelos jovens, Ferreira explica que a delegacia tem cadastrado os menores que são recolhidos.

- Temos feito um banco de dados com as informações dos menores em situação de rua que são recolhidos. Verificamos se eles já tinham passagem, mandado de busca apreensão. Pois desta forma podemos agir e encaminhar para os órgãos competentes explica Fábio.

O delegado ainda destacou que as atitudes paternalistas normalmente são um estímulo à permanência dos menores pelas ruas.

As pessoas ficam penalizadas e muitas dão esmolas e comida, mas não ajudam efetivamente fazendo isso. Os menores precisam entender que a rua não é um bom lugar para ficar. É lá que eles vão conhecer os vícios, as drogas, o crime acrescentou.

Solvente (cola) não é considerado droga

Para os que se incomodam tanto com a presença dos menores perambulando no final da tarde cheirando cola pela ruas, o delegado titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), Deoclécio Assis Filho, explica que solvente (tiner ou cola de sapateiro) não é considerado droga.

- Nós repreendemos e tiramos o material daqueles que fazem uso de solventes. Mas deve-se identificar e prender quem fornece, pois a venda é controlada e proibida a menores explicou.

Ele destacou ainda que é preciso diferenciar o menor vítima (de maus tratos ou abandono) do menor infrator.

Se não for tomada medida sócio-educativa eficaz, um menor vítima de abandono pode acabar se tornando infrator. Esse é um problema social muito complexo, não é uma questão só de polícia acentuou Assis Filho.

Recolhimento de menores em situação de risco

Agentes da DPCA trabalham muitas vezes com carro descaracterizado, para não assustar os menores. Os assistentes sociais da FIA Fundação da Infância e Adolescência procuram fazer um trabalho de convencimento para levá-los à Central de Triagem, onde são identificados e encaminhados para abrigos ou para a família, caso possível. O delegado da DPCA destacou ainda a importância de se chamar as famílias à responsabilidade.

Um Largo antigo cheio de história que quer renovação

A bela praça com chafariz, em frente à Igreja Matriz, ponto de circulação e lazer, embaixo dos pés de abricó e palmeiras, devolvida ao povo carioca. Sem susto, sem medo. Essa é a esperança que não morre no coração dos moradores e comerciantes de um largo que já foi das Pitangueiras, das Laranjeiras, da Glória e se chama até hoje Praça Duque de Caxias (só que ninguém sabe). O Duque que perdoe o povo, mas o que pegou mesmo foi o Machado. Ele pede socorro e avisa que quer voltar a sorrir.