Entidades protetoras lutam contra falta de apoio
Cecília Abreu, JB Online
RIO - Independentemente da forma de ação, as instituições são unânimes em destacar as dificuldades decorrentes da falta de apoio do governo e do empresariado. Os voluntários dependem unicamente da boa vontade de quem se compadece dos animais. Segundo informações de presidentes e colaboradores das entidades protetoras, os laboratórios que produzem as rações, por exemplo, até hoje não atenderam a apelos por doações ou descontos na venda de seus produtos.
- Inúmeras entidades, como a Oito Vidas, estimulam as adoções dos animais e dessa forma, ajudamos a criar um futuro mercado comprador dos produtos. Seria bom que eles enxergassem mais claramente isso e nos ajudassem de alguma forma, já que as rações são muito caras ressalta a presidente da Ong Oito Vidas, Lílian.
Outro exemplo de falta de apoio é o da Suipa, que luta há tempos para conseguir a cessão de uso por tempo indeterminado de um terreno contíguo, que pertence à AKZO NOBEL (Tintas Ipiranga) e que está sem uso há anos.
- O terreno fica ao lado da Suipa. Já houve promessas da prefeitura, mas até agora as palavras ficaram no ar lamenta a presidente da Suipa.
O cadastramento como estratégia de controle
Mais que uma questão de fazer ou não abrigo, ou de como estimular a adoção, para o médico veterinário Aristeu Pessanha Gonçalves, enfrentar o problema do abandono é uma questão de mentalidade, de educação.
- O problema do abandono e do excesso de animais pelas ruas, principalmente na zona oeste da cidade e na Baixada Fluminense, não será resolvido de forma definitiva apenas com medidas radicais como a esterilização, por exemplo. Acho que essa é a ponta do iceberg, pois o mais importante é a educação para a posse responsável. Nos meus quarenta anos de profissão, acho que está mais que na hora de fazermos essa reflexão, pois observo que, enquanto os animais se humanizam , os homens se animalizam pondera.
Aristeu defende ainda a adoção de uma rotina pública e gratuita de cadastramento, com implante de microchips de identificação e informações nos animais, além de seguros para custeio de despesas em caso de possíveis acidentes.
- Enquanto não houver um sistema adequado de identificação dos animais, que permita saber quem são os seus donos, o abandono vai continuar - sublinha o médico-veterinário e Diretor Técnico da Policlínica Veterinária Ypiranga, localizada em Laranjeiras, na Zona Sul da cidade.
Ainda há muito que avançar nesse sentido, mas já é um pensamento comum a todas as entidades que lidam com animais: é preciso ser responsável, focar na informação, na educação e na conscientização dos humanos de que o animal é dependente e a escolha por possuir um animal doméstico implica em compromisso com sua vida e o bem estar. Esta é a posse responsável e espera-se que logo deixe de ser a exceção, mas a regra.
