Manifestantes fazem passeata em prol das células-tronco embrionárias
Cecília Abreu, JB Online
RIO -
JB Online
RIO DE JANEIRO - Familiares, amigos e pessoas portadoras de doenças degenerativas realizaram na manhã deste sábado uma manifestação na Praia de Copacabana, na altura do hotel Copacabana Palace, na zona sul do Rio. Eles fazem parte do Movimento em Prol da Vida e exigem que o Supremo Tribunal Federal tome uma decisão sobre a liberação ou não das pesquisas com células-tronco embrionárias.
Os manifestantes caminharam, exibindo faixas com dizeres como: 'Chega de adiar a cura' e 'Liberem as pesquisas'. Eles ainda distribuíram panfletos e cartas aos pedestres que passavam, além de flor de Gérbera, que representa a causa.
A questão está no centro de um arrastado debate que opõe, de um lado, a igreja católica e do outro, cientistas e portadores de doenças graves. As manifestações também ocorrem em outras três capitais - Fortaleza (CE), São Paulo (SP), além do Distrito Federal pois este sábado marca um mês do pedido de vista do processo sobre as pesquisas com células-tronco embrionárias pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Alberto Menezes Direito.
- Queremos uma decisão do STF, não dá mais para postergar. Estamos aqui em favor da vida, a favor da causa embrionária para se chegar a cura de doenças como Mal de Alzheimer, Mal de Parkinson, Atrofias e Distrofias. Muitos dizem que estamos levantando a bandeira do aborto. Não é verdade. Nós só queremos colocar a lei de biossegurança em prática afirmou um dos organizadores, José Carlos Borges, que tem um filho de 13 anos com distrofia muscular.
Ricardo Oliveira, de 38 anos, um dos manifestantes que estavam presentes, afirma que além da igreja atrapalhar as pesquisas, as industrias farmacêuticas também não querem que curas de tantas doenças sejam descobertas. Depois de levar um tiro num assalto, Ricardo perdeu parte dos movimentos e tem se dedicado a estudar por conta própria tudo relacionado à neurociência
- A medicina nunca mais será a mesma será melhor a partir do uso das células-tronco. Eu vou lutar até o fim para sair dessa cadeira de rodas. É a minha única saída. Nem que eu pague com a minha vida. O que tem que acabar é essa história de religião e ciência se misturarem. Além disso, a indústria farmaceutica. Isso tudo fica às escuras, ninguém gosta de falar sobre isso. Mas no fundo, todos que estão engajados nessa causa sabem que lucra-se muito mais com as pessoas comprando remédios do que investindo-se em cura declarou.
Para Valéria Leite Soares, coordenadora da Associação Carioca da Distrofia Muscular, é importante a sociedade se informar sobre os benefícios que as pesquisas podem trazer.
- É uma luz no fim do túnel para a cura de muitas doenças. Temos que alertar a população, passar informações sobre o assunto e sobre a aprovação, pelo Supremo Tribunal Federal, das pesquisas. Nossos cientistas precisam começar a trabalhar com as células que serão descartadas pelas clínicas de fertilização. Estamos tentando mostrar ao povo brasileiro que podemos sair junto com outros países no que diz respeito a pesquisa finalizou Borges.
Desde o dia 5 de março pacientes esperam
O ministro Carlos Ayres Britto votou pela liberação das pesquisas. Em seguida, Menezes Direito pediu o adiamento da sessão sob o argumento de que precisava estudar a fundo o caso. Regimentalmente, ele tinha até 30 dias para devolver o processo e, assim, o julgamento prossiga. Mas não há sanção para quem descumpre o prazo. É comum que esse período não seja cumprido.
Nesta semana, Direito não revelou quando colocará o julgamento da ação na pauta do STF. O ministro Gilmar Mendes, que assumirá a presidência do STF neste mês, prevê que o julgamento seja retomado no mês que vem.
