Crítica: 'Hotxuá'
O filme Hotxuá documenta o cotidiano da tribo indígena krahô, habitante de Palmas, em Tocantins, no norte do país. Através deste registro, conhecemos o hotxuá, espécie de palhaço, figura sagrada para os krahô, que tem como função manter a tribo alegre e unida por meio do riso.
A estreia da atriz Letícia Sabatella e do artista plástico Gringo Cardia na direção traz uma boa surpresa. Somos guiados através da história dessa tribo de maneira cativante e fidedigna aos seus preceitos e estilo de vida.

Há muitas imagens da natureza - o cerrado brasileiro, por eles bem preservado - e do contato respeitoso que os índios prestam à mesma, além das várias cenas em que o sacerdote do riso faz com que as mulheres e os homens, de todas as idades, alegrem-se e deixem as amarguras de lado.
Os depoimentos (tanto na língua nativa dos krahô, o merrim, quanto em português) dos indígenas são inspiradores e demonstram os valores morais sob os quais essa sociedade vive - e que deveriam ser, também, dos “homens da cidade”. O equilíbrio entre forças é um exemplo, bem representado pela corrida das toras, promovida duas vezes por dia entre os partidos da tribo. Segundo um dos integrantes dos krahô, a ideia é que nenhum deles ganhe sempre a competição, a fim de manter o ambiente estável: a função é unir os partidos ao invés de disseminar a rixa. Estranho? Na verdade, não.
Cotação: ** (Bom)
>> Locais em que o filme está em exibição entre 24 de fevereiro e 1 de março
Zona Norte: Ponto Cine: 14h, 16h, 18h, 20h. Zona Sul: Arteplex 3: 20h20.
>> Programação de Cinema completa de 24 de fevereiro a 1 de março
