Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Cultura - Programa

Crítica: 'O artista'

Jornal do BrasilFilipe Quintans

O inglês Graham Greene disse que sua novela O terceiro homem, quando adaptada para o cinema pelo também inglês Carol Reed, não deveria ser lida, mas vista. O comentário de Greene parece reordenado (talvez reprocessado) em O artista, escrito e dirigido pelo francês Michel Hazanavicius (pronuncia-se 'razãnaviciú'). Trata-se de um filme para ser ouvido, o que parece uma sugestão tola diante do fato de que o longa em questão não contém uma só linha de diálogo. Explica-se.

O artista é um filme mudo, em preto e branco, inspirado em Fred Astaire, Gene Kelly, Stanley Donen e Busby Berkeley, Hitchcock (do qual 'toma emprestado' um tema musical), Crepúsculo dos deuses e no cinema americano feito até 1928, ano de lançamento do primeiro filme falado. Os ingredientes parecem estranhos ao cinema de nosso tempo, mas funcionam - como funcionariam num filme feito há 80 anos ou feito ano passado. Reconhecendo o feito, as associações e círculos de críticos e organizações de classe (diretores, produtores e roteiristas) distribuíram prêmios fartamente a O Artista. O Oscar, no próximo 26 de fevereiro, indicou o filme em onze categorias. Os BAFTA, equivalente britânico, em doze. No hipódromo chamam isso de barbada.

Filme de Michel Hazanavicius tem dez indicações ao Oscar
Filme de Michel Hazanavicius tem dez indicações ao Oscar

Um galã do cinema mudo enxerga a própria decadência apontar na esquina, puxada pela novidade dos talkies (gíria para filmes falados). Por força do acaso cinematográfico, ele cruza com uma aspirante à atriz/bailarina que, na mão inversa, está prestes a chegar ao estrelato com os filmes falados. O mesmo (e mágico) acaso cinematográfico fará os os caminhos se cruzarem mais uma vez, como é de se supor; o caminho até o reencontro é onde Hazanavicius mostra que fez um filme para ser ouvido.

A forma engenhosa como utiliza a trilha composta por Ludovic Bourcesobre sua própria montagem, os números de dança, a precisão do sorriso do protagonista Jean Dujardin e o magnetismo do par que ele faz com Berenice Bejo, além de um extenso elenco de apoio, em maioria americano (James Cromwell, John Goodman, Penelope Ann Miller) nos remete à mágica própria dos filmes que, vez ou outra, volta para nos lembrar como é acolhedora e emocionante a experiência do cinema.

Cotação: **** (Excelente)

>> Locais em que o filme está em exibição entre 24 de fevereiro e 1 de março  

Zona Sul: Cinépolis Lagoon 3: 15h. Arteplex 5: 20h, 22h. Estação Sesc Botafogo 1: 13h20, 15h20, 17h20, 19h20, 21h20. Estação Sesc Ipanema 1: 13h50, 15h50, 17h50, 19h50, 21h50. Estação Vivo Gávea 4: 13h40, 15h40, 17h40, 19h40, 21h50. São Luiz 1: 14h30, 19h10, 21h20. Roxy 1: 15h10, 17h20, 19h30, 21h40. Leblon 2: 14h, 16h20, 18h40, 21h. Kinoplex Fashion Mall 4: 15h, 19h40, 21h50. Barra: Espaço Rio Design 2: 14h,16h, 18h, 20h, 22h. UCI NY 1: 14h, 16h15. Cinemark Downtown 1: 20h10. Zona Norte: Kinoplex Tijuca 3: 17h, 21h45, 6a e sáb também às 23h59.  

>> Programação de Cinema completa de 24 de fevereiro a 1 de março 

Tags: cinema, estreia, exibição, filme, o artista, salas

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